Crise sanitária e inflação acentuam queda do poder de compra do benefício alimentação

 

Estudo inédito preparado pela Fipe em parceria com a Alelo, para marcar um ano de lançamento
dos Índices de Consumo em Supermercados e Restaurantes, comparou o valor das recargas nos benefícios
voltados para alimentação e o valor da cesta básica, apurado pelo Dieese

 

 

A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em parceria com a Alelo, bandeira especializada em benefícios, incentivos e gestão de despesas corporativas, preparou um estudo inédito para marcar um ano de lançamento dos Índices Fipe e Alelo, que mostra como o poder de compra dos benefícios recebidos por trabalhadores formais evoluiu durante a crise sanitária. Para isso, a Fipe avaliou uma amostra de dados fornecidos pela Alelo, incluindo informações relacionadas aos benefícios Alimentação e Refeição entre janeiro de 2018 e maio de 2021. Como referência para o cálculo do poder de compra, antes e após o início da pandemia, a instituição considerou o valor da cesta básica, calculado pelo Dieese para diversas capitais brasileiras no mesmo período.

 

Enquanto o valor médio das recargas dos benefícios voltados para alimentação permaneceu relativamente estável entre janeiro de 2019 e maio de 2021 (em termos reais, isto é, considerando a evolução da inflação média ao consumidor), o valor médio da cesta básica apresentou tendência de elevação ao longo do mesmo período (também em termos reais), especialmente a partir do segundo semestre de 2020. Esse período coincide com a aceleração dos preços de diferentes itens importantes de consumo da cesta (acima da inflação média ao consumidor), como arroz, feijão, carnes, óleos vegetais, entre outros bens de consumo. A comparação entre os valores de recarga e da cesta básica evidencia uma queda no poder de compra dos benefícios recebidos pelos trabalhadores formais para alimentação durante a crise sanitária.

 

Especificamente, se no intervalo de 12 meses anteriores ao início da pandemia (entre abril de 2019 e março de 2020), o valor médio da recarga do benefício alimentação correspondia a 87,7% do valor médio da cesta básica, nos 12 meses seguintes (entre abril de 2020 e março de 2021), essa proporção foi equivalente a 81,8%, o que representa uma queda de 5,9 pontos percentuais. Em outras palavras, os créditos recebidos pelo trabalhador formal na forma do benefício alimentação passaram a comprar uma quantidade menor de produtos que compõem a cesta básica no período de análise.

 

Na análise mensal, é possível constatar que a trajetória do poder de compra do benefício alimentação oscilou entre 2019 e o início de 2020, período em que equivaleu, no mínimo, a 80,4% da cesta básica (em abril de 2019) e, no máximo, a 101,7% (em novembro de 2019). A partir de agosto de 2020, entretanto, o estudo constatou um recuo progressivo da relação entre os valores de recarga e cesta básica, atingindo seu menor patamar em janeiro de 2021: no mês, o valor médio da recarga do benefício alimentação seria suficiente para adquirir apenas 72,7% do valor médio da cesta básica do período correspondente. Para fins comparativos, em janeiro de 2019 e em janeiro de 2020, o poder de compra apurado por essa razão entre os valores da recarga e da cesta básica foi de 89,1% e de 83,3%, respectivamente. Já no último mês disponível da série (maio de 2021), essa relação apresentou ligeira recuperação frente à mínima de janeiro (76%).

 

Segundo os pesquisadores da Fipe, a economia brasileira apresentou uma aceleração relevante dos seus principais índices de preço durante a pandemia, incluindo o IPCA/IBGE, que acompanha os preços ao consumidor, e, principalmente, o IGP-M/FGV, que considera, além dos preços ao consumidor, os preços do atacado e os preços de insumos da construção civil, além de ser comumente utilizado para reajustar valores em contratos (por exemplo, no caso da locação de imóveis). O fenômeno inflacionário recente pode ser explicado por uma combinação de fatores que afetaram a economia doméstica e mundial, como variação e volatilidade cambial, desabastecimento interno, incentivos e estímulos associados à política econômica, entre outros.  Daí a importância de se avaliar em que medida os valores das recargas dos benefícios — em especial dos que envolvem alimentação, que colaboram diretamente para o orçamento doméstico, principalmente entre famílias com rendimento de até cinco salários mínimos — estão se comportando em relação à evolução do custo de itens da cesta básica. Além disso, os resultados apurados vão de encontro com outras evidências e considerações relacionadas aos efeitos da crise sanitária sobre a renda e o emprego no Brasil.

 

Em resumo, os resultados apresentados pelo estudo inédito preparado pela Fipe, em parceria com a Alelo, são compatíveis tanto com a crise ainda enfrentada por segmentos e atividade de serviços da economia brasileira, bem como o quadro de vulnerabilidade e incerteza dos trabalhadores – seja pela ameaça do desemprego, pelo encarecimento dos itens importantes para alimentação o e sustento da casa, endividamento, inadimplência e outros problemas que afetam de forma desigual as faixas mais carentes e expostas da população brasileira.

 

“A análise do uso de benefícios voltados para a alimentação permite a compreensão de hábitos de consumo de fatias relevantes população. Os vales, ou vouchers, podem contribuir de forma importante para o orçamento doméstico, aumentando a renda disponível para outros gastos, inclusive para o pagamento de contas e dívidas. Para as famílias de renda mais baixa, mais expostas ao desemprego e à queda no poder de compra motivada pelo avanço da inflação, a situação é mais dramática”, explica Cesário Nakamura, presidente da Alelo.

 

 

Índices Fipe e Alelo – Impactos da COVID-19 no consumo em restaurantes e supermercados

 

Após dois meses de restrições, os Índices de Consumo em Restaurantes (ICR) mostraram uma recuperação no mês de maio, registrados sobre a quantidade de transações efetivadas (-46,2% em maio, ante -51,4% em abril) e o valor total gasto (-27,1% em maio, após -33,2% em abril), quando comparados ao mesmo período de 2019. A flexibilização das regras de operação dos estabelecimentos pode ter contribuído também para suavizar o impacto negativo apurado sobre o número de estabelecimentos que efetivaram ao menos uma transação, que passou de -6,9%, em abril, para -1,5%, em maio de 2021. Em conjunto, esses resultados reforçam a leitura recente dos indicadores comportamentais, destacando a capacidade de reação do consumo em um dos segmentos mais fragilizados pelas restrições da pandemia.

 

Já em relação aos Índices de Consumo em Supermercados (ICS), foi observada uma alta de 5,7% no valor total gasto (em relação à média em maio de 2019), enquanto que a quantidade de vendas se manteve 12,3% abaixo do patamar de referência pré-pandemia. Além disso, as últimas informações destacam que o número de estabelecimentos que efetivaram transações encerrou o mês com aumento de 4,1% em comparação com maio de 2019. Esses resultados reforçam a contínua relevância desse segmento para o abastecimento das famílias brasileiras desde o início da pandemia no país, em março de 2020, condição que tem se traduzido em níveis de consumo usualmente superiores aos de 2019, salvo pelo número de transações (provavelmente, pela concentração das compras em menos eventos).

 

Em termos regionais, a análise dos dados de maio de 2021 e aqueles observados no mês anterior revela que os impactos negativos sobre o consumo, embora ainda relevantes na comparação com 2019, foram amenizados em todas as regiões do país, refletindo o processo de reabertura e flexibilização sobre a circulação de pessoas e atividades consideradas não essenciais. Adotando como parâmetro o impacto do valor gasto em restaurantes, as regiões brasileiras registraram os seguintes números: Nordeste (-30,6%), Centro-Oeste (-30,3%), Norte (-28,3%), Sudeste (-26,9%) e Sul (-26,6%).

 

Individualmente, com exceção do Acre, onde foi registrada elevação no valor gasto em restaurantes em maio, todas as demais unidades federativas exibiram queda no consumo em relação ao mesmo mês de 2019. Entre as mais impactadas, incluem-se: Rio de Janeiro (-37,6%), Bahia (-37,1%), Amazonas (-34,4%), Distrito Federal (-34,1%) e Tocantins (-33,0%). Já entre as unidades que apresentaram quedas menos expressivas, estão: Rondônia (-1,2%), Espírito Santo (-3,9%), Roraima (-4,8%), Amapá (-7,9%) e Alagoas (-16,4%). Por fim, os impactos em: São Paulo (-24,6%), Minas Gerais (-24,3%), Paraná (-29,3%), Santa Catarina (-18,9%), Rio Grande do Sul (-30,3%) e Pernambuco (-27,6%).

 

Vale destacar que os Índices de Consumo em Supermercados (ICS) acompanham as transações realizadas em estabelecimentos como supermercados, quitandas, mercearias, hortifrútis, sacolões, entre outros; e os Índices de Consumo em Restaurantes (ICR) apontam a evolução do consumo de refeições prontas em estabelecimentos como restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, além de serviços de entrega (delivery) e retirada em balcão/para viagem (pick-up). Ambos são calculados com base nas operações realizadas a partir da utilização dos cartões Alelo Alimentação e Alelo Refeição, em todo território nacional. Além disso, é importante assinalar que a escolha do ano de 2019 para o cálculo dos impactos do consumo se dá pelo fato de que esse ano foi a última referência completa de um período dentro da normalidade da atividade econômica, que ocorreu antes da pandemia.

 

 

Metodologia dos índices

 

Todos os índices foram elaborados e depurados com base em critérios estatísticos para garantir a consistência e a interpretação dos resultados ao longo do tempo:

  • Amostra: todos os índices são calculados a partir de dados diários de transações realizadas em estabelecimentos comerciais distribuídos por todo o território nacional, entre 1 de janeiro de 2018 e 31 de maio de 2021.
  • Valores atípicos: para evitar oscilações nos índices decorrentes de eventuais entradas ou saídas de empregadores de grande porte na base de dados, observações associadas a empresas que se enquadram nesses critérios foram desconsideradas nos cálculos.
  • Sazonalidade: foram adotados os seguintes procedimentos para mitigar a influência de fatores sazonais: (i) cálculo de média móvel de 7 dias (dados do dia observado e dos 6 dias anteriores a ele), eliminando assim os efeitos dos dias úteis e finais de semana sobre as séries; (ii) identificação e filtragem de fatores sazonais relacionados ao comportamento das séries em dias específicos dentro de cada mês (1º dia, 5º dia, 10º dia...), por conta do calendário de recarga e distribuição temporal do uso dos benefícios nos estabelecimentos no período.
  • Inflação: os dados relativos ao consumo em valor foram deflacionados com base na variação mensal do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  • Influência de outros fatores: os impactos apresentados não excluem a influência de fatores, eventos e políticas coincidentes com a pandemia sobre o comportamento e hábitos de consumo da população ao longo do período de análise. Todavia, levando-se em conta o caráter inesperado das medidas restritivas instituídas a partir de março, na maior parte das grandes cidades, bem como o padrão comportamental dos índices nos anos precedentes, é possível relacionar as variações atípicas observadas no comportamento das séries à pandemia da Covid-19.
  • Frequência: todos os índices são apresentados com frequência diária para todo o período disponível da amostra, tendo por referência inicial (base 100) a média diária em janeiro de 2018. Os impactos calculados estão disponíveis para todos os dias, quinzenas e meses de 2020 e 2021.
  • Recorte geográfico: os impactos – apresentados como percentuais de variação dos índices em relação à média observada em 2019 – consideram os seguintes recortes: (i) média nacional (Brasil); (ii) Médias das 5 regiões (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste); (iii) Média dos 26 estados e Distrito Federal (27 unidades federativas).

 

Sobre a Fipe

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – Fipe é uma organização de direito privado, sem fins lucrativos, criada em 1973. Entre seus objetivos está o apoio ao Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Possui, hoje, destacada atuação nas áreas de ensino, projetos, pesquisa e desenvolvimento de indicadores econômicos e financeiros.

 

Sobre a Alelo

A Alelo é uma empresa especializada em benefícios, gestão de despesas corporativas e incentivos, atuando nos segmentos de alimentação, cultura, transporte e saúde. Com mais de dezessete anos de história, é, desde 2013, líder no setor de benefícios pelo Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), da Secretária do Trabalho no Ministério da Economia. A Alelo conta com a confiança de 100 mil empresas-clientes, 8 milhões de usuários e com a maior rede de estabelecimentos comerciais afiliados do Brasil. Entre os produtos e serviços oferecidos, estão Alelo Refeição, Alelo Alimentação, Alelo Tudo, Alelo Natal, Alelo Multibenefícios, Alelo Mobilidade, Alelo Frota, Alelo Gestão de VT, Alelo Cultura e cartões pré-pagos Alelo Despesas, Alelo Pagamentos e Alelo Premiação, e Veloe.

 

 

Contatos à imprensa Alelo

Isadora Veloso

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