
Novas lideranças: qual o perfil e como capacitar gestores para o que as empresas precisam agora?
Lideranças com capacidade de entregar resultados ganham a preferência em 2026 depois de um período focado no desenvolvimento de soft skills.
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O ano de 2026 chega com mudanças nas empresas, como liderança mais humana, avanço na IA e benefícios corporativos mais completos

2026 já está batendo à porta, trazendo não só um novo ciclo, mas também transformações importantes no mundo corporativo, que devem impactar as empresas agora e nos próximos anos.
Essas mudanças chegam por meio de novas tendências no mercado de trabalho, desde novos jeitos de liderar e o uso de tecnologias que facilitam a rotina de trabalho, até uma atenção maior aos benefícios corporativos e às modalidades de trabalho.
Algumas tendências que acompanharão 2026 são:
Essas tendências não deixam dúvidas que 2026 irá trazer novos ares para o mundo corporativo, e para conversar sobre esse tema, trazemos dois convidados:
Bora saber com eles o que as empresas podem esperar para 2026?
Em 2026 e nos próximos anos, o que se espera das pessoas em cargos de liderança é que eles exerçam um perfil adaptativo, deixando de lado o modelo rígido e autoritário, dando lugar a gestores capazes de ler o contexto e moldar o trabalho às necessidades de seus colaboradores.
Para Gustavo, o líder de 2026 precisa entender o seu papel de facilitador, dando clareza, desenvolvendo pessoas e sustentando decisões difíceis com equilíbrio emocional. “A liderança do futuro é, acima de tudo, humana, estratégica e coerente.”
Vanessa compartilha do mesmo pensamento e acredita que as equipes seguem quem confiam, quem explica o porquê das decisões, quem dá espaço e reconhece as diferenças de ritmo.
“A inclusão entra nisso de forma natural: adaptar-se às pessoas é incorporar a diversidade no dia a dia. No fundo, o que se espera é uma liderança capaz de manter o propósito vivo, mesmo em cenários instáveis.”
Vanessa acredita que a forma de líder tradicional já vem perdendo espaço há algum tempo, mas que não desaparecerá. Para ela, a hierarquia continua importante para dar direção e responsabilidade, porém deixa de ser o principal ponto de origem da liderança.
“As pessoas, hoje, seguem quem influencia, não quem manda, e isso muda a dinâmica. Mais autonomia, mais decisões em conjunto, menos silos organizacionais e mais colaboração.”, comenta.
Para Gustavo, a hierarquia tradicional perde força porque ela é lenta para o mundo em que vivemos hoje.
“O que ganha espaço são estruturas mais horizontais com mais autonomia, responsabilidade e decisões mais próximas da operação. Cargo deixa de ser poder, e entrega de valor passa a ser o que realmente importa.”
Tratando-se de IA, o que se vê nos últimos anos é que essa tecnologia chegou para ficar nas rotinas de trabalho.
Segundo o estudo The State of AI in Early 2024, da McKinsey, a adoção de IA no mundo avançou de 55% para 72% em apenas um ano. Dentro desse crescimento, a IA generativa se destacou, aumentando de 33% para 65% de presença nas estratégias corporativas.
Para Vanessa, “a ‘IA invisível’ já está embutida nos sistemas sem a gente ao menos perceber. “Ela já está presente no nosso dia a dia e assume muitas tarefas repetitivas e burocráticas, deixando o trabalho mais rápido.”
Gustavo acredita que a IA entrou nas empresas definitivamente: “Ela não aparece como alguém que vai substituir pessoas, mas, sim, como algo integrado à rotina, aos sistemas, ao RH, aos relatórios e às decisões, o que muda tudo!”
“O profissional deixa de ser apenas um executor e passa a ser alguém muito mais estratégico. E quanto mais a tecnologia avança, mais as competências humanas se tornam essenciais.“, pondera.
Mesmo com o avanço da IA, habilidades exclusivamente humanas ainda têm seu lugar nas rotinas corporativas.
De acordo com os dois profissionais, são elas: pensamento crítico, aprendizagem contínua, colaboração multigeracional e escuta transformadora. “Este conjunto vira praticamente um kit de sobrevivência nas empresas”, ressalta Vanessa.
Em 2026, a saúde mental deixa de ser um “extra” nos pacotes de benefícios e se torna parte central da saúde integral dos colaboradores, principalmente com a atualização da NR-1, que obriga as empresas a avaliar e agir sobre riscos psicossociais.
Vanessa destaca que um exemplo dessa integração são os planos de saúde mais completos, com boa cobertura para psicoterapia, com rede ampliada de profissionais combinando ações preventivas como gerenciamento de estresse e carga horária de trabalho.
Ainda segundo ela, também há a possibilidade de se pensar em programas para educação financeira com foco em evitar endividamento e a possibilidade de benefícios flexíveis, o que permite que as pessoas escolham o que faz mais sentido para seu momento de vida.
“Não adianta ter bons benefícios se a cultura adoece as pessoas, por isso capacitar e desenvolver a liderança sobre o tema saúde mental e gestão é fundamental”, comenta.
Gustavo defende uma abordagem mais direta, pois para ele a saúde mental deixa de ser um tema periférico ou um benefício e passa a ser parte central da estratégia das empresas. “Em 2026, não dá mais para tratar isso como discurso. A saúde emocional deve entrar no orçamento, nos indicadores e na rotina da liderança.”
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Além dos benefícios voltados à saúde mental, os financeiros também vêm evoluindo, já que uma condição econômica instável impacta diretamente o bem-estar do colaborador.
“Endividamento e falta de planejamento financeiro afetam a produtividade, o sono e a saúde. Agora, as empresas começam a entender que cuidar da saúde financeira do colaborador também é cuidar da sua saúde mental”, explica Gustavo
Vanessa também acredita que os benefícios vêm com o foco de reduzir a insegurança financeira dos colaboradores.
“Creio que os benefícios financeiros deveriam evoluir para participação nos lucros mais clara, educação financeira mais estruturada e intencional, opções flexíveis e incentivos de longo prazo, como a previdência privada, por exemplo. É um movimento que conversa muito com estabilidade psicológica também“, comenta a pedagoga.
As modalidades de trabalho (híbrido, remoto e presencial) também influenciam diretamente a produtividade do colaborador. Todas devem continuar presentes no próximo ano, ainda que de maneiras diferentes.
Vanessa acredita que desafios “clássicos” do home office ainda perduram, como isolamento, falhas de comunicação, dificuldade de separar vida pessoal e profissional, menos trocas e o desafio de manter a cultura organizacional viva.
Para ela, tudo isso aumenta o risco de perda de identidade organizacional.
“Para funcionar, o trabalho remoto precisa de intencionalidade, rituais, acordos, uso inteligente das ferramentas e lideranças presentes sem serem controladoras”, comenta.
Gustavo considera o trabalho em home office uma realidade já consolidada, mas reconhece que ele traz os mesmos desafios apontados por Vanessa. Além disso, destaca a persistência da desconfiança por parte de algumas empresas, o que acende um alerta sobre os limites do monitoramento do trabalhador remoto.
Para ele, não é o home office ou o escritório que determina a produtividade, mas o fator decisivo é a qualidade da liderança (comunicação clara, confiança, alinhamento de expectativas, acompanhamento adequado, autonomia e suporte).
“O problema não é onde se trabalha, o problema é como se lidera”, afirma.
“O escritório tem que valer a viagem pela simples razão de que o deslocamento para o trabalho em grandes cidades está cada vez mais caótico. Não é possível pensar em fomentar saúde mental e, ao mesmo tempo, ter profissionais que levam horas no trânsito para chegar ao trabalho”, pondera Vanessa.
“Isso significa ter no presencial mais espaços de troca, áreas de convivência, ambientes flexíveis para projetos, salas que convidam à aprendizagem, treinamentos e mentorias”, continua.
Gustavo acredita que o escritório deixa de ser um lugar de obrigação e passa a ser um espaço de experiência.
“Ele precisa atrair as pessoas pelo vínculo, pela troca, pela convivência e pela colaboração. As pessoas não querem mais ir ao escritório apenas para bater ponto. Elas querem pertencer.”
Combinando trabalho remoto e presencial, o modelo híbrido vem ganhando cada vez mais espaço por oferecer maior autonomia ao colaborador.
Vanessa acredita que, para essa modalidade funcionar bem, é necessário haver intencionalidade e diretrizes, como:
“As pessoas precisam entender quando e porquê precisam estar juntas e qual é o real valor disso“, complementa Gustavo.
O significado de carreira vem mudando, e a maioria dos jovens profissionais tem priorizado empregos que se alinhem aos seus valores e ao seu estilo de vida.
Vanessa defende que muitos profissionais se cansaram do chamado “cinismo corporativo”, conceito estudado há anos na Psicologia Organizacional e que surge quando os profissionais percebem desalinhamento entre o que a empresa discursa e o que de fato pratica.
O cinismo corporativo é caracterizado por essas três coisas (Dean, Brandes & Dharwadkar, 1998):
“As pessoas querem ambientes onde os valores sejam vividos, e não estampados em campanhas internas. Querem coerência, principalmente das lideranças e um ambiente emocionalmente seguro. Este movimento muda completamente como os profissionais buscam carreira e passam a valorizar culturas transparentes”, comenta.
Gustavo acredita que os profissionais querem gerar impacto, sentir que pertencem a algo maior e evoluir sem se destruir. Isso transforma a maneira como os talentos escolhem onde trabalhar e redefine o papel das empresas na vida de cada um.
“Pesquisas globais indicam que mais de 70% das pessoas aceitariam ganhar menos para trabalhar em empresas alinhadas aos seus valores”, revela o professor.
Gustavo ainda chama a atenção para o esgotamento causado por inúmeras funções, metas e sobrecarga. Ele cita uma pesquisa da International Labour Organization, que mostra que jornadas longas estão associadas a um aumento de 35% no risco de AVC e 17% no risco de doenças cardíacas.
“Quando alguém vive apenas para bater meta, sem propósito, sem reconhecimento e sem equilíbrio, esta pessoa não se realiza, apenas sobrevive. Burnout não é falta de resiliência, é excesso de carga, por isso os profissionais estão priorizando, cada vez mais, trabalhos com significado”, finaliza.
O próximo ano tem tudo para ser marcado por transformações, e fica cada vez mais claro que o futuro do trabalho será construído por empresas que entendem que resultados e bem-estar caminham juntos.
A tecnologia avança, os modelos de trabalho e os benefícios evoluem, e a liderança e os profissionais se reinventam, tornando-se mais adaptativos e guiados por valores e propósito.
As organizações que desempenharem essa lógica estarão mais preparadas para um cenário competitivo que exige flexibilidade, coerência e responsabilidade.
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