Presença feminina na liderança do RH: entre desafios históricos e avanços

Apesar de serem maioria no RH, quando se trata de cargos de alta liderança nas grandes empresas, as mulheres ainda ocupam uma porcentagem inferior a dos homens.

Liderança feminina

Não há dúvidas de que a presença feminina nas empresas é um importante indicador de inclusão e diversidade, que pode fazer a diferença para qualquer negócio que busque se manter competitivo.  

E falando em RH, o número de mulheres em cargos no setor se transformou (e muito) ao longo dos anos. Até 2017, o total de profissionais (homens e mulheres) na área era de mais de 111 mil, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Deste total, cerca de 75,2% (84.146 profissionais) eram mulheres, atuando em cargos como administração, gestão e, principalmente, psicologia do trabalho.

Nos anos mais recentes, o estudo “O perfil do CHRO brasileiro 2025”, elaborado pelo executivo Marcelo Nóbrega, mapeou os perfis no LinkedIn dos diretores de Recursos Humanos das 500 maiores empresas do país. O levantamento apontou que as mulheres ocupam 59% dos cargos de liderança no RH atualmente.

Apesar de serem maioria no RH, quando se trata de cargos de alta liderança nas grandes empresas, as mulheres ainda lutam pelo seu espaço e seguem enfrentando diversas barreiras.

Para conversar sobre o tema, convidamos duas vozes femininas importantes:

●      Lilian Stefanelli: executiva, fundadora da Globalk Group e especialista em Gestão de Pessoas e;

●      Dominique Bittencourt: profissional de Gestão Estratégica de RH, com atuação alinhada às diretrizes corporativas, e gerente de Vínculos Humanos na DPR Telecomunicações.

Bora ouvir o que elas têm a dizer sobre o assunto?

 

Quais os principais desafios para as mulheres que atuam em cargos de liderança em RH?

Como aponta o estudo “O perfil do CHRO brasileiro 2025”, atualmente as mulheres ocupam 59% dos cargos de liderança no RH.

Mas, apesar dos avanços da presença feminina em altos cargos, muitas mulheres ainda encontram obstáculos para permanecer em posições de liderança.

“Entre eles estão a necessidade constante de provar competência, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e, em alguns casos, a falta de referências femininas em posições estratégicas”, comenta Dominique.

 

Lilian Stefanelli

Os principais desafios para as mulheres líderes de RH

quotation-marksO desafio maior ainda são os preconceitos estruturais e culturais. À medida que a hierarquia avança, o funil de liderança se estreita para as mulheres, realidade que não se repete entre os homens. Além disso, a desigualdade salarial persiste, com remunerações que podem ser até 20% inferiores às praticadas no mercado

Lilian Stefanelli, Executiva, Fundadora da Globalk Group e Especialista em Gestão de Pessoas

Por que ainda há predominância masculina em cargos de chefia?

Do lado de fora do RH, ainda se vê a prevalência masculina em cargos de chefia de empresas dos mais diversos segmentos, como revela uma pesquisa feita pela Vila Nova Partners em 2024.

Ao analisar mais de 80 empresas de capital aberto listadas na Bolsa de Valores, a pesquisa mapeou o perfil dos CEOs dessas organizações: 95% são homens e grande parte com formação em Engenharia (46%). Apenas 5% dos cargos de CEO eram ocupados por mulheres.

Dominique acredita que essa predominância é fruto de uma construção histórica em que os cargos de liderança foram, por muito tempo, ocupados majoritariamente por homens. E, ainda hoje, alguns processos e modelos de gestão mantêm práticas e estruturas que dificultam a ascensão feminina.

“É necessário repensar esses modelos e ampliar o olhar para diferentes estilos de liderança para construir organizações mais equilibradas e inovadoras”, comenta.

“Ainda hoje, mulheres em posições de liderança muitas vezes recebem avaliações negativas simplesmente por exercerem autoridade”, ressalta Lilian

“O homem por muito tempo teve sua posição como ‘chefe de família’ intacta, mas ao longo dos anos isso deixou de ser uma realidade, a quantidade de mulheres que sustentam as suas casas sozinhas é alta. Mesmo com as mudanças culturais e o estereótipo feminino trazendo dúvida para muitas instituições, creio que em mais alguns anos, teremos um número melhor de mulheres em cargos de chefia”, acrescenta.

 

Quais práticas ajudam a fortalecer a liderança feminina dentro das organizações?

Uma pesquisa da FIA Business School realizada em 2023, que analisou respostas de mais de 150 mil funcionários de 150 grandes empresas do país, premiadas com o selo “Lugares Incríveis para Trabalhar 2023”, as mulheres ocupavam 38% dos cargos de liderança nessas organizações.

Embora seja um percentual baixo, o que se observa é uma ascensão, ainda que discreta, da participação feminina nos cargos mais altos. Esse avanço pode ser resultado da adoção de práticas e políticas voltadas ao fortalecimento da liderança das mulheres dentro das organizações.

Como aponta Dominique: “Iniciativas como programas de desenvolvimento, planos de carreira, processos seletivos justos e políticas de flexibilidade fazem muita diferença. Além disso, a construção de uma cultura que valoriza a escuta, o diálogo e a colaboração, são fundamentais”, comenta.

Lilian ressalta que: “As mulheres devem expor mais suas opiniões, o que traz domínio e visibilidade no ambiente de trabalho. Fortalecer sua carreira e buscar por equilíbrio emocional, para tirar o estigma de sexo frágil é fundamental.”

 

As empresas estão mais abertas a discutir diversidade, equidade e inclusão?

Dominique aponta que temas como esses têm ganhado espaço e relevância nos últimos anos. Segundo ela, cada vez mais, as empresas compreendem que diversidade, equidade e inclusão não são apenas valores, mas também fatores estratégicos.

“As empresas precisam criar um ambiente onde todos são bem-vindos, e esse olhar tem que vir do topo. Criar um local de trabalho justo, fortalece o time com respeito. Quando o olhar da empresa é humanizado, a inclusão é feita de modo natural”, comenta Lilian.

 

Como será o futuro da liderança feminina nos próximos anos?

“O crescimento é inevitável. As empresas buscam pessoas que consigam trazer mais colaboração, humanização e inovação no ambiente de trabalho. As mulheres estão se fortalecendo, estudando mais e principalmente olhando para suas raízes, e eu acredito que quando curarmos nossas raízes, mais fortes serão os nossos frutos” finaliza Lilian. 

Dominique Bittencourt

O futuro da liderança feminina

quotation-marksO futuro aponta para lideranças mais diversas, humanas e colaborativas. A liderança feminina tende a ganhar ainda mais espaço, especialmente na gestão de pessoas, onde a capacidade de adaptação, o olhar estratégico e o cuidado serão cada vez mais valorizados.

Dominique Bittencourt, Profissional de Gestão Estratégica de RH e Gerente de Vínculos Humanos na DPR Telecomunicações

A liderança feminina é uma realidade em construção! Apesar dos desafios ainda presentes, os avanços mostram que organizações que investem em equidade, escuta, empatia e desenvolvimento colhem ambientes mais humanos.

Fortalecer a presença das mulheres nos espaços de decisão é um fator estratégico que leva ao crescimento e promove a transformação do mundo corporativo.

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