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Desigualdade salarial de negros e mulheres no mercado. Veja dados, o racismo estrutural e as estratégias de RH para a equidade e inclusão

No mês da Consciência Negra, é fundamental refletir sobre equidade racial e seus desafios ainda presentes no universo corporativo.
Dados mostram que mulheres negras ganham até 50% menos do que homens brancos e também enfrentam índices mais altos de desemprego e preconceito no ambiente de trabalho.
Atualmente, pessoas negras têm menor representatividade em cargos de liderança e enfrentam obstáculos estruturais que dificultam seu crescimento profissional.
Bora lá entender como a desigualdade racial impõe desafios no mercado de trabalho e como o RH pode ajudar a vencê-la?
Desafios da equidade racial no ambiente corporativo
O racismo estrutural e institucional é um dos principais obstáculos para a inclusão real no mercado de trabalho. Isso se manifesta em processos seletivos enviesados, ambientes pouco acolhedores, falta de políticas de diversidade efetivas e ausência de lideranças negras.
A Bain & Company mostrou em uma pesquisa que homens negros, por exemplo, têm quatro vezes mais chances de serem vistos como pouco comprometidos, o que reforça estigmas negativos e prejudica sua ascensão profissional.
A Relação Anual de Informações Sociais (2024) reforça que mulheres negras enfrentam desemprego mais que o dobro do registrado entre homens não negros e recebem, em média, 50% da remuneração dos homens brancos nas mesmas funções.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a remuneração média das mulheres negras é cerca de R$ 1.948.
Para se ter uma ideia, esse valor representa apenas 48% do rendimento médio dos homens brancos. Por outro lado, em comparação com as mulheres brancas, esse valor chega a 62%.
Essa disparidade ressalta a ligação entre raça e gênero, posicionando as mulheres negras na base da hierarquia salarial brasileira.
Já os dados do Índice de Equidade Racial nas Empresas (IERE) 2024 mostram que mulheres negras ocupam apenas 2% das posições em Conselhos de Administração ou Quadros Executivos, reforçando a urgência de políticas de equidade salarial e inclusão no mercado de trabalho.
O que fala a legislação?
A legislação brasileira oferece importantes instrumentos para combater o racismo e promover a equidade racial nas empresas.
Entre eles, destacam-se a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, a Convenção da ONU contra todas as formas de discriminação racial e o Programa Mais Igualdade, que orientam práticas e políticas para garantir ambientes de trabalho justos e inclusivos.
A Convenção Interamericana contra o Racismo, ratificada pelo Brasil em 2022, estabelece que todo ser humano tem direito à igual proteção contra o racismo, a discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
O documento define discriminação racial, discriminação indireta, discriminação múltipla e medidas especiais de ação afirmativa, além de criar um comitê interamericano para prevenção e eliminação do racismo. Esse tratado pode ser um grande aliado na formação de políticas da sua empresa.
A Convenção da ONU contra todas as formas de discriminação racial, adotada por mais de 175 países, determina que a discriminação racial é toda distinção, exclusão ou restrição baseada em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica que tenha o objetivo ou efeito de anular ou restringir direitos humanos.
As medidas exigidas pela Convenção da ONU contra todas as formas de discriminação racial, especialmente no mercado de trabalho, são variadas e visam garantir a eliminação da discriminação e a promoção da igualdade de oportunidades. Entre as principais medidas, destacam-se:
Essas medidas criam um arcabouço legal e prático para que Estados e organizações possam combater o racismo e promover a igualdade, tornando os ambientes de trabalho locais mais justos e inclusivos. O cumprimento dessas diretrizes é essencial para avançar na redução das desigualdades históricas e garantir os direitos humanos fundamentais no âmbito profissional.
O Programa Mais Igualdade, lançado pelo governo brasileiro, reforça o compromisso nacional com a promoção da equidade racial e de gênero.
O programa incentiva ações afirmativas, como cotas raciais, programas de capacitação e políticas de diversidade, visando reduzir desigualdades e promover a inclusão de grupos historicamente marginalizados.
Empresas são estimuladas a adotar práticas que garantam igualdade de oportunidades e combater o preconceito estrutural.
O Programa Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Homens e Mulheres, instituído pelo Governo Federal em 2025, tem como foco combater as desigualdades salariais e melhorar as condições laborais entre gêneros. Com vigência até 2027, o programa é estruturado em três eixos principais:
O plano reúne 79 ações que abrangem desde a promoção da igualdade de remuneração por trabalho de igual valor, até a eliminação de todas as formas de discriminação, violência e assédio no ambiente profissional. Garantindo que o Brasil avance na construção de um mercado de trabalho mais justo e inclusivo para mulheres e homens.
Para transformar esse cenário, as empresas devem adotar práticas efetivas e contínuas que promovam a inclusão racial, como:
Estudos de ESG (Ambiental, Social e Governança) mostram que empresas que promovem ativamente a diversidade e inclusão alcançam melhores índices de inovação, engajamento dos colaboradores e competitividade sustentável.
O IERE 2024 aponta que apenas 31 das 45 empresas participantes têm políticas e metas claras para a ascensão interna de profissionais negros. Apenas 11 empresas associam remuneração variável à equidade racial, mostrando que o caminho para a liderança negra ainda é longo.
Além disso, para avançar significativamente na equidade, é necessário agir em múltiplas frentes, como utilizar dados para embasar decisões estratégicas, garantir a presença de pessoas negras em comitês decisórios, revisar processos internos de seleção e promoção e promover redes de apoio e troca de experiências.
A adoção dessas medidas, aliada a políticas de licença parental inclusivas e mecanismos de mentoria e patrocínio, são ferramentas que têm se mostrado eficazes para acelerar a diversidade na liderança, removendo barreiras estruturais e desconstruindo estereótipos que ainda prejudicam o desenvolvimento de profissionais negros.
O setor de Recursos Humanos é fundamental para liderar essa transformação, atuando na construção de ambientes mais justos e acolhedores.
O RH deve implementar estratégias que considerem as especificidades dos desafios enfrentados por pessoas negras, garantindo processos inclusivos e desenvolvimento igualitário.
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