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O Tribunal Superior do Trabalho (TST) divulgou o ranking dos temas que mais apareceram nos processos trabalhistas julgados em 2024. Esse levantamento, além de trazer à tona alguns dos maiores desafios enfrentados pelas empresas brasileiras, pode ser visto como uma espécie de guia para empregadores que buscam aprimorar suas práticas de gestão e evitar litígios. Vem com a gente descobrir quais são os cinco principais problemas entre organizações e colaboradores e como preveni-los. O que configura um litígio trabalhista? A advogada Márcia Prado explica que os litígios trabalhistas derivam dos conflitos entre empregados e empregadores sobre direitos previstos na legislação […]

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) divulgou o ranking dos temas que mais apareceram nos processos trabalhistas julgados em 2024.
Esse levantamento, além de trazer à tona alguns dos maiores desafios enfrentados pelas empresas brasileiras, pode ser visto como uma espécie de guia para empregadores que buscam aprimorar suas práticas de gestão e evitar litígios.
Vem com a gente descobrir quais são os cinco principais problemas entre organizações e colaboradores e como preveni-los.
A advogada Márcia Prado explica que os litígios trabalhistas derivam dos conflitos entre empregados e empregadores sobre direitos previstos na legislação ou em contratos.

“Questões como verbas rescisórias, horas extras, assédio e condições de trabalho inadequadas são temas comuns quando falamos sobre processos trabalhistas.”
Márcia Prado, advogada trabalhista
Segundo ela, a Justiça do Trabalho atua para garantir o equilíbrio na relação empregatícia, analisando cada caso e prova apresentada conforme a lei.
A lista com os temas mais recorrentes nos processos trabalhistas em 2024, divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresenta um dos indicadores presentes no “Relatório Geral da Justiça do Trabalho”, publicado anualmente com o objetivo de garantir transparência e tornar pública informações sobre a atuação do Judiciário trabalhista, conforme salienta o advogado trabalhista Vitor Fernandes.
Nesta edição do ranking, os cinco temas que mais aparecem nas ações trabalhistas foram:
Conforme explicou Márcia Prado, muitas empresas ainda interpretam incorretamente ou descumprem regras trabalhistas determinadas pela CLT, como:
E essas violações frequentemente resultam em processos trabalhistas, por isso casos relacionados a horas extras ocuparam o topo dos litígios registrados pelo TST em 2024.
Outro erro comum cometido pelas empresas é não pagar feriados trabalhados, principalmente quando caem no fim de semana, o descanso quinzenal dominical, bem como não respeitar a jornada da mãe lactante, prevista no artigo 396 da CLT.
Segundo a advogada, a falta de controle adequado da jornada expõe a empresa a riscos, tornando essencial a atenção às normas e o suporte jurídico preventivo.
Vitor Fernandes pontua que apesar de os pedidos de pagamento de horas extras aparecem como 1º colocado no ranking publicado pelo TST, é difícil justificar essa recorrência apontando um ou dois motivos como grandes responsáveis.
O advogado reforça a fala de Márcia, afirmando que “de toda forma, podemos destacar que, em muitos casos, os pedidos de pagamento de horas extras estão diretamente ligados à falta de atenção das empresas às regras que regulam a jornada de trabalho”.
Ele explica que, além da CLT, existem leis trabalhistas elaboradas especificamente para determinados ramos de atividade, bem como acordos e convenções coletivas que podem estabelecer regras adicionais sobre as jornadas de trabalho, regime de compensação e banco de horas.
“Portanto, é fundamental conhecer todos os limites legais antes de implementar as escalas de trabalho, garantindo que estejam em conformidade com a legislação e com os acordos ou convenções coletivas aplicáveis. É importante destacar que, além do desconhecimento das normas, podemos citar ainda como motivos ensejadores dos processos de horas extras, erros na implementação de mecanismos de controle de jornada, compensação e banco de horas, bem como a ausência de um gerenciamento rigoroso das empresas nas jornadas realizadas por seus empregados.”
Vitor comenta que, atualmente, existem diversas soluções tecnológicas para auxiliar no controle de ponto, muitas delas acessíveis e disponíveis online, como aquelas acessíveis a partir de aplicativos para smartphones.
Segundo ele, esses sistemas registram as horas trabalhadas e oferecem funcionalidades específicas, como a gestão do banco de horas, permitindo uma administração mais eficiente e garantindo maior conformidade com a legislação.

“A adoção de ferramentas adequadas, a correta aplicação das normas e a conscientização de toda a empresa quanto a necessidade de cumprimento da correta jornada de trabalho, pode reduzir significativamente o risco de passivos trabalhistas relacionados às horas extras.”
Vitor Fernandes, advogado trabalhistaMas o que significa cada um dos litígios que ocupou o topo da lista da TST? Vitor, especialista em Direito do Trabalho, explica:
Faz referência ao tempo de trabalho realizado além da jornada regular contratada pelo empregado ou prevista na legislação.
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as horas extras devem ser remuneradas com um acréscimo de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal de trabalho.
Além disso, é importante considerar os seguintes aspectos relacionados às horas extras:
O empregador também deve lembrar que as horas extras têm reflexos em outras verbas trabalhistas, como:
É a pausa obrigatória para descanso e alimentação durante a jornada de trabalho.
O artigo 71, parágrafo 1º da CLT, prevê que quando a jornada de trabalho não ultrapassa seis horas diárias, o empregado tem direito a um intervalo de 15 minutos.
Já para jornadas que excedem esse limite, o intervalo deve ter duração mínima de uma hora e máxima de duas horas, salvo previsão contrária em acordo escrito ou contrato coletivo.
O adicional é devido aos trabalhadores expostos a condições que possam comprometer sua saúde, como a presença de agentes químicos, biológicos ou físicos em níveis superiores aos permitidos pelas normas regulamentadoras (NRs).
Este adicional é regulamentado pela NR-15, que estabelece as atividades e operações consideradas insalubres. O valor do adicional varia conforme o grau de insalubridade, sendo:
A caracterização e classificação da insalubridade é realizada por meio de perícia técnica conduzida por um engenheiro ou médico de segurança do trabalho.
É importante ressaltar que o pagamento do adicional de insalubridade não exime o empregador da obrigação de implementar medidas para reduzir ou eliminar as condições insalubres no ambiente de trabalho.
Desde a reforma trabalhista (Lei nº 13.467/2017), passou a ser possível que a parte vencida pague honorários sucumbenciais ao advogado da parte contrária, o que tem gerado mais discussões judiciais sobre sua aplicação e valores devidos.
Esta mudança foi implementada com a inclusão do artigo 791-A na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estabelece:
Vale ressaltar que o honorários sucumbenciais são valores pagos pela parte vencedora de um processo judicial ao advogado da parte vencedora, determinados por decisão judicial com base no princípio da sucumbência (situação em que uma das partes em um processo judicial é derrotada ou “perde” a ação, total ou parcialmente).
É importante destacar que a introdução dos honorários sucumbenciais na Justiça do Trabalho visa, além de remunerar o trabalho dos advogados, desestimular processos infundados e recursos protelatórios.
Ocorre quando o magistrado deixa de analisar questões importantes apresentadas no processo, levando as partes a recorrerem por falta de resposta adequada do Judiciário.
Este conceito está intrinsecamente relacionado ao princípio constitucional da inafastabilidade da jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, que garante que nenhuma lesão ou ameaça será excluída da apreciação do Poder Judiciário.
Para caracterizar a negativa de prestação jurisdicional, é necessário que:
Neste quesito, os advogados trabalhistas Vitor e Márcia são unânimes ao afirmar que sim, empresas que possuem litígios recorrentes podem se deparar com algumas consequências.
Márcia explica que empresas com muitos processos sobre um mesmo assunto podem enfrentar riscos financeiros, desgaste na reputação e fiscalizações dos órgãos competentes.
“A repetição de ações trabalhistas sobre um mesmo tema indica falhas estruturais, má interpretação de direitos dos trabalhadores ou erros na gestão de pessoal. Corrigir práticas inadequadas e adotar medidas preventivas, como auditorias e assessoria jurídica, é essencial para reduzir litígios e evitar maiores prejuízos.”
O advogado Vitor Fernandes reitera que os reflexos que litígios recorrentes, envolvendo um mesmo tema, podem trazer para as empresas:
Aumento de passivos trabalhistas: a repetição de processos pode gerar condenações expressivas e afetar a saúde financeira da empresa;
Fiscalização mais rigorosa: órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT) podem intensificar inspeções e aplicação de multas;
Ações coletivas: sindicatos e grupos de trabalhadores podem ingressar com ações coletivas, ampliando os impactos financeiros e jurídicos.
Nem sempre os trabalhadores têm total ciência de seus direitos perante a lei, mas muitos deles são extremamente relevantes para a imagem e reputação profissional dos indivíduos. Por exemplo:
Empresas que demitem por justa causa não podem tornar o motivo público nem divulgar o motivo da demissão.
Além disso, fazer qualquer anotação na carteira de trabalho do empregado que indique a ocorrência de justa causa ou que desabone sua conduta pode acarretar um processo trabalhista.
Essa proteção legal visa preservar a dignidade do trabalhador e suas futuras oportunidades de emprego e, caso o empregador viole essas regras, é de direito do empregado buscar indenização por danos morais na Justiça do Trabalho.
O advogado trabalhista Arthur Martins explica que a questão acerca da divulgação dos motivos da rescisão de um contrato de trabalho é controversa, mas perigosa.

“Recentemente uma grande emissora divulgou expressamente que estava desligando um apresentador por “descumprir normas éticas do Jornalismo”, ressaltando na sequência que “não comenta decisões de compliance”. Esses dois comentários, lidos em conjunto, levam facilmente ao entendimento de que o empregado teria cometido uma violação ética ligada ao cumprimento de normas internas da casa”, comenta Arthur Martins, advogado trabalhista.
“Recentemente uma grande emissora divulgou expressamente que estava desligando um apresentador por “descumprir normas éticas do Jornalismo”, ressaltando na sequência que “não comenta decisões de compliance”. Esses dois comentários, lidos em conjunto, levam facilmente ao entendimento de que o empregado teria cometido uma violação ética ligada ao cumprimento de normas internas da casa.”
“É claro que tratamos aqui do desligamento de uma figura pública, e que isso naturalmente gera comoção. Entretanto, analisando a situação com mais calma, trata-se de um empregado dispensado pela empresa – e há indícios de que esse desligamento teria se dado por justa causa ou por uma infração ética.”
Para tornar a situação mais didática, o advogado utiliza o exemplo de uma pessoa que cometeu um crime e que, após cumprir a pena, tem o direito de retornar à sociedade e trabalhar.
“A exigência de antecedentes criminais para contratação é justificada apenas em casos específicos, como cargos ligados à vigilância ou cuidadores de pessoas, porque divulgar amplamente na internet o nome, a foto e o crime cometido vai fazer com que esse indivíduo carregue pelo resto da vida a “mancha” da condenação. Ou seja, ela dificilmente conseguirá retomar o convívio social ou terá oportunidade de construir uma vida digna.”
E, dessa mesma forma, uma informação desabonadora vai dificultar a recolocação de um empregado punido por cometer uma infração dentro da empresa.
Além disso, a depender do caso, um empregado que tem o motivo de sua demissão amplamente divulgado pode até mesmo se ver impossibilitado de retomar a sua carreira.
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