Relacionamento amoroso no trabalho dá certo?

Dia dos namorados está aí, e o amor está no ar. E também no trabalho! É o que revela um estudo recente da consultoria americana Challenger. Ao menos 35% das pessoas já se envolveram ou estão em um relacionamento com alguém do trabalho. Outro estudo, intitulado “Romance no escritório”, publicado em 2021 pelo site Zety, especializado em conteúdos sobre carreira profissional, diz: 89% dos colaboradores disseram que em algum momento se sentiram atraídos por colegas de trabalho; 78% pelo menos consideraram namorar alguém com quem trabalharam; 58% chegaram a realizar esse desejo. Os números podem surpreender, mas a psicóloga Heloisa […]

Relacionamento amoroso no trabalho dá certo?

Dia dos namorados está aí, e o amor está no ar. E também no trabalho! É o que revela um estudo recente da consultoria americana Challenger. Ao menos 35% das pessoas já se envolveram ou estão em um relacionamento com alguém do trabalho.

Outro estudo, intitulado “Romance no escritório”, publicado em 2021 pelo site Zety, especializado em conteúdos sobre carreira profissional, diz:

  • 89% dos colaboradores disseram que em algum momento se sentiram atraídos por colegas de trabalho;
  • 78% pelo menos consideraram namorar alguém com quem trabalharam;
  • 58% chegaram a realizar esse desejo.

Os números podem surpreender, mas a psicóloga Heloisa Soares afirma que as relações amorosas podem acontecer em qualquer ambiente. “Vemos as pessoas em aplicativos de namoro buscando coisas em comum. O ambiente de trabalho pode ser um exemplo de local onde os interesses se encontram”, diz.

Segundo ela, não há como bater o martelo se as relações amorosas no ambiente corporativo são positivas ou não. “Essa é uma questão completamente subjetiva e individual e cada casal tem comportamentos diferentes. A dica que sempre dou é manter a discrição em qualquer relação, seja no ambiente de trabalho ou não”, afirma.

Os impactos do romance no trabalho também foram investigados pelo levantamento realizado pelo site Zety. Para a maioria (54%) dos entrevistados que se relacionaram com colegas de empresa, nada mudou na rotina laboral. Para 28%, a relação no trabalho entre os envolvidos melhorou, enquanto para 18% ela se deteriorou.

Curiosamente, mais mulheres (25%) do que homens (13%) afirmam que o namoro no escritório teve um efeito negativo em sua relação de trabalho. Para os responsáveis pela pesquisa, o machismo e a desigualdade de gênero em cargos de chefia ajudam a compreender esse fenômeno. 

De olho no código de ética.

O que diz a legislação?

A orientação de especialistas é que os envolvidos estejam alertas para as determinações e regras de cada empresa. O código de ética será responsável por indicar o comportamento esperado. Geralmente, as companhias não proíbem as relações, mas alguns pormenores como informar o RH e garantir a separação das atividades do convívio amoroso devem ser respeitados.

Segundo a lei, não há motivos para proibir relacionamentos amorosos entre funcionários de uma mesma empresa. Isso iria contra o Artigo 5º, inciso X da Constituição Federal (CF), que prevê o direito à intimidade, à honra e à vida privada.

Existem algumas jurisprudências a respeito do assunto, mas o entendimento geral é de que não havendo excessos nas condutas impróprias, não existe justa causa para proibir as relações. Todavia, especialistas recomendam a leitura do regimento interno ou código de ética de cada empresa.

O outro lado dos relacionamentos no trabalho

Enquanto a polêmica dos relacionamentos segue ativa, uma outra página dessa história segue preocupando as corporações. Depois de uma queda no registro de casos de assédio moral e sexual nas empresas durante o início da pandemia, os índices voltaram a crescer no Brasil em 2021.

Ao todo, no ano passado foram computados 3.049 processos de assédio sexual e 52.936 de assédio moral no país, segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Segundo o TST, este aumento está relacionado à falta de limites da gestão em relação à suposta alta disponibilidade do colaborador, que passou a ser acessado a qualquer momento, excedendo sua carga horária diária justamente por estar em home office. Este cenário replicado em inúmeras operações certamente colaborou para este aumento no volume de denúncias.

Por isso, o consenso dos especialistas é de que, mais do que se preocupar com o comportamento de colaboradores que resolvem ter relacionamentos amorosos, as empresas devem ficar atentas aos casos de assédio, que são muito mais graves.

Isso porque os assediadores encontraram no ambiente virtual e no trabalho remoto mais liberdade para promoverem práticas de abuso, visto que a privacidade de atuar fora do escritório limita o acesso aos demais colaboradores presenciarem atos inconvenientes.

Concluindo, o melhor caminho é disponibilizar as políticas de relacionamento amoroso no trabalho para todos os colaboradores. Deixe-as acessíveis e promova ações para incentivar o bom comportamento e harmonia no ambiente trabalho, seja no escritório ou no home office.

E você? Conhece alguma história de amor que começou no horário comercial?

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