Qual a importância da transparência salarial?

A transparência salarial é essencial para construir um mercado de trabalho mais justo, baseado na equidade e na valorização dos talentos.

Mulher feliz com o dinheiro

Não tem discussão: a equidade salarial é um ponto sensível no mercado de trabalho, e os dados sobre esse assunto mostram isso com clareza. Frente a esse cenário, a transparência salarial surge como uma alternativa concreta para reduzir desigualdades, promover justiça e otimizar a relação entre empresas e profissionais.

Segundo o 3º Relatório de Transparência Salarial, divulgado em abril de 2025 pelo MTE e pelo Ministério das Mulheres, as mulheres recebem, em média, 20,9% a menos que os homens em funções equivalentes.

Já segundo o estudo “Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil (2023-2024)”, realizado pelo Instituto Ethos, apenas 27,4% das diretorias são ocupadas por mulheres.

Mas não para por aí. Dados da B3 mostram que 55% das empresas não contavam com nenhuma mulher em cargos de diretoria estatutária até 2023. O mesmo estudo identificou que as pessoas pretas não ocupavam cargos de diretoria estatutária em 98,2% das organizações e nenhuma companhia tinha duas ou mais pessoas pretas nesse cargo.

Nas redes sociais, têm ganhado força movimentos de trabalhadores que defendem que a divulgação do salário nas vagas publicadas seja uma exigência obrigatória para as empresas.

Ainda, está em votação popular uma proposta de lei que pode transformar a forma como as vagas de emprego são divulgadas no Brasil. A ideia obriga que todas as oportunidades incluam o salário ou a faixa salarial. Caso alcance 20 mil apoios até 20 de novembro de 2025, a proposta será levada ao Senado como sugestão legislativa.

Assim, seria possível reduzir as desigualdades salariais e evitar o chamado “leilão reverso”, prática em que candidatos acabam aceitando valores menores do que o justo por falta de transparência no processo seletivo.

Pensando em tudo isso, preparamos um conteúdo para explicar por que transparência salarial pode, de fato, transformar processos seletivos e reduzir desigualdades. Vamos nessa?

 

O que é a transparência salarial nas vagas publicadas?

A transparência salarial nas vagas publicadas (em LinkedIn, redes sociais ou sites de vagas de emprego) é a prática de informar, de forma clara e objetiva, a faixa de remuneração (ou o valor exato do salário) já no anúncio da vaga de emprego.

Essa medida permite que candidatos saibam previamente quais são as condições oferecidas, promovendo mais equidade, confiança e eficiência no processo seletivo.

Com essa prática, é possível que a empresa demonstre compromisso com a igualdade de oportunidades e o combate às disparidades salariais, especialmente de gênero, raça e outros marcadores sociais.

No Brasil, com novas regulações voltadas à equidade salarial entre homens e mulheres, essa transparência passou a ser obrigatória para determinadas companhias, tornando-se um importante passo rumo a um mercado de trabalho mais justo.

 

Afinal, por que a divulgação de salário nas vagas é importante?

Você já passou por um processo seletivo longo, cheio de etapas, para descobrir no final que o salário oferecido não correspondia às suas expectativas? Essa é uma situação presente na rotina de muitos profissionais que buscaram novas oportunidades de trabalho.

Atualmente, no Brasil, é comum que os trabalhadores invistam tempo e energia em processos seletivos, somente para descobrir, no final, que o salário oferecido está abaixo das expectativas ou do valor de mercado.

Mas a falta de clareza prejudica os colaboradores e também as empresas, que devem se posicionar para mudar esse cenário.

 

Quais são as vantagens da transparência salarial?

Para todos os “times” envolvidos nesse jogo, a transparência sobre o salário é um ponto de vantagem.

Para o trabalhador

●      Garante transparência desde o início do processo;

●      Evita frustrações e perda de tempo;

●      Permite comparar oportunidades com base em critérios reais e justos.

Para o RH

●      Recebe candidatos mais alinhados à faixa salarial;

●      Reduz o retrabalho e a sobrecarga operacional;

●      Melhora a experiência dos candidatos e a reputação da empresa empregadora.

Para a empresa

●      Agiliza contratações e otimiza o funil de recrutamento;

●      Reduz custos e tempo de processo;

●      Contribui para uma imagem mais ética e atrativa no mercado;

●      Garante alinhamento a práticas de ESG que visam equidade salarial.

 

Entendendo as leis e avanços na equidade salarial

Desde 2023, a busca por equidade salarial entre homens e mulheres ganhou novo impulso com a Lei nº 14.611/2023, conhecida como “Lei da Igualdade Salarial”, que estabelece medidas de promoção da igualdade de remuneração para funções equivalentes.

De acordo com a norma, empresas com 100 ou mais empregados devem publicar relatórios semestrais de transparência salarial. A não divulgação desses relatórios pode gerar multas administrativas de até 3% da folha de pagamento, limitadas a 100 salários mínimos.

A fiscalização é de responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que registrou na última edição do relatório que 217 empresas foram inspecionadas e 90 autuadas por descumprirem a exigência.

Equidade salarial no Brasil e os desafios que ainda persistem

Mesmo com avanços legais, a desigualdade salarial ainda é uma realidade no país, como vimos com o 3º Relatório de Transparência Salarial, divulgado em abril de 2025 pelo MTE e pelo Ministério das Mulheres.

As mulheres recebem, em média, 20,9% a menos que os homens em funções equivalentes. Quando considerada a remuneração média geral, essa diferença aumenta: as profissionais ganham apenas 70,8% do valor recebido pelos homens.

Mas em cargos de liderança, o cenário é ainda mais desigual:

●      Segundo a KPMG, em 42,7% das empresas com mais de 100 empregados, menos de 10% da força de trabalho é composta por mulheres negras;

●      53% das organizações não têm sequer três mulheres em cargos de gerência ou direção (KPMG).

 

Transparência e ESG: valor estratégico para as empresas

Os números vistos acima evidenciam que a interseccionalidade entre gênero e raça amplia as disparidades e reforça a urgência de políticas de transparência e equidade, que devem começar desde a publicação das vagas.

Isso porque, além de ser um problema social, a equidade salarial tem impacto direto na reputação corporativa e na sustentabilidade dos negócios.

Em um cenário em que ESG (Environmental, Social and Governance) se consolida como um pilar de competitividade, organizações comprometidas com transparência e diversidade fortalecem sua marca empregadora e atraem talentos mais engajados.

Ou seja, práticas de transparência salarial deixam de ser apenas uma exigência de compliance e passam a representar um indicador estratégico de cultura organizacional, equidade e responsabilidade social.

Nesse sentido, a proposta de obrigar a divulgação de faixas salariais em todas as vagas é mais um passo alinhado às propostas ESG e que valoriza a democratização da informação e a redução de desigualdades estruturais no mundo do trabalho.

Ao promover transparência desde o início do processo seletivo, a medida contribui para relações de trabalho mais equilibradas, processos mais eficientes e empresas mais conscientes de seu papel social. A votação está aberta até 20 de novembro de 2025.

Gostou desse conteúdo? Então continue navegando por aqui para saber mais sobre pautas que são relevantes para ficar no radar do RH!

 

 

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