
Sinal de alerta para pequenas empresas: turnover alto traz custos, atrapalha os resultados e afasta os talentos
Fator de preocupação, turnover acima da média traz custos, atrapalha os resultados e afasta os talentos das empresas menores.
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Com o possível fim da escala 6x1, empresas podem se antecipar a essa tendência preparando lideranças e ajustando benefícios corporativos.

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 27/05 a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1. O texto prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, ou seja, os trabalhadores terão direito a dois dias de folga na semana.
Agora, a PEC será avaliada e colocada em votação no Senado. Caso seja aprovada novamente, a proposta será promulgada em sessão do Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.
A discussão traz impactos relevantes para organização do trabalho, custos operacionais e a gestão de pessoas, o que exige atenção por parte das empresas. Confira no texto a seguir como as organizações podem se antecipar a essas mudanças.
A escala 6x1 é um modelo de jornada em que o colaborador trabalha durante seis dias consecutivos e descansa um. Ela é bastante utilizada em setores como:
Dependendo da organização, a folga pode variar entre dias na semana ou aos fins de semana, respeitando as regras previstas na legislação trabalhista.
Além da jornada 6x1, o mercado de trabalho brasileiro conta com outros formatos. Os mais comuns são:
5x2 - São cinco dias de trabalho e dois de descanso, que não precisam ser consecutivos. O modelo mais comum costuma ser de segunda a sexta para trabalho e folga aos sábados e domingos. A jornada costuma ser de 8 horas e 48 minutos para totalizar 44 horas semanais, ou de 8 horas diárias quando a carga é de 40 horas.
4x3 - O modelo conta com quatro dias de trabalho e três de descanso. Como o limite legal é de 10 horas diárias, costuma-se adotar uma carga reduzida com 36 horas (com 9 horas diárias).
12x36 - Regime especial em que o empregado trabalha por 12 horas consecutivas e depois descansa pelas 36 horas seguintes. É o único caso em que os trabalhadores podem atuar acima do limite de 10h diárias. Esse modelo é comum em setores como saúde e segurança.
Atualmente, a escala 6x1 é permitida pela legislação trabalhista, desde que respeite o descanso remunerado de pelo menos 24 horas (preferencialmente aos domingos), e o limite constitucional de 44 horas semanais. Para cumprir o limite, a jornada diária gira em torno de 7 horas e 20 minutos.
Na escala 6x1, os colaboradores têm direito a um dia de folga após seis dias consecutivos de trabalho. Esse dia de folga pode coincidir com domingos e feriados, dependendo da programação estabelecida pela empresa.
No entanto, é importante que os gestores saibam que a legislação brasileira prevê que os empregados devem ter pelo menos um domingo de descanso a cada três semanas.
A principal crítica à escala 6x1 está relacionada ao impacto na qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo uma pesquisa da Nexus, 73% dos brasileiros apoiam o fim do modelo, desde que não haja redução salarial.
Entre as dificuldades relatadas neste tipo de jornada estão a falta de tempo para descansar adequadamente, conviver com a família, estudar e ter lazer.
Além disso, existe a percepção de que a escala 6x1 provoca o aumento de desgaste mental, como estresse e Burnout. Segundo dados da Previdência Social, os afastamentos por Burnout cresceram em mais de 800% no país nos últimos quatro anos.
Neste cenário, a redução da jornada seria também uma forma de preservar a saúde dos colaboradores e se adaptar a um novo contexto do mercado de trabalho, que prioriza o bem-estar.
O principal ponto de mudança da PEC do fim da escala 6x1 é que os trabalhadores deverão ter, em média, duas folgas por semana. Na prática, a proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. O texto só entrará em vigor 60 dias após a promulgação da PEC, caso seja aprovado.
A redução da carga horária será feita em duas etapas, ao longo de até 14 meses. Primeiro, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas até dois meses após a promulgação da proposta.
Depois, as duas horas restantes deverão ser reduzidas em até 12 meses após a primeira etapa. Na prática, a mudança será gradual para permitir adaptação de empresas, contratos e escalas de trabalho.
Sessenta dias após a promulgação da PEC, acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras perderão automaticamente a validade. Com isso, empresas e sindicatos terão que renegociar dentro das novas regras.
O avanço da PEC do fim da escala 6x1 mostra que o modelo de trabalho está sendo questionado. Por isso, as empresas que se anteciparem poderão organizar a transição com mais segurança. Veja a seguir algumas ações que as empresas podem adotar para se adaptar ao novo cenário.
O primeiro passo é entender quais áreas utilizam atualmente a escala 6x1, como trazer mais flexibilidade para elas e quais serão os impactos operacionais. Esse mapeamento ajuda o RH a construir cenários com mais segurança.
Com isso, a empresa pode começar a negociar alterações no contrato de trabalho. Ao antecipar esse movimento, a organização mostra que se preocupa com o bem-estar e valoriza o colaborador e não apenas se adequando a uma obrigação legal.
Vale ressaltar que a mudança na escala é considerada uma alteração relevante do contrato de trabalho. Por isso, segundo o artigo 468 da CLT, a mudança só é válida quando houver mútuo consentimento e desde que não haja prejuízo para o empregado.
A tecnologia pode fazer a diferença no processo de transição. Ao adotar ferramentas digitais, o RH pode redistribuir as funções da equipe de modo que evite a sobrecarga, otimize as escalas e tenha maior controle de gestão.
Um exemplo é o Alelo Pagamentos, que permite que o gestor centralize todos os pagamentos de despesas com fornecedores e serviços contratados em um só cartão. Assim, fica mais fácil gerenciar os custos da empresa e manter maior controle dos gastos.
Mudanças na jornada de trabalho também exigem adaptação por parte das lideranças. Neste cenário, o RH pode ajudar líderes a lidarem com equipes mais flexíveis e encontrar métodos para aumentar a produtividade.
A cultura de controle tende a perder espaço para modelos mais orientados à confiança e resultado.
Em alguns setores, pode ser que não seja possível reorganizar as escalas dos colaboradores sem fazer novas contratações, principalmente em organizações que operam aos fins de semana.
Ao antecipar essa necessidade, o RH consegue garantir que a transição ocorra sem sobrecarga para as equipes. Além disso, a empresa poderá iniciar o processo seletivo de forma mais ágil.
Se a jornada de trabalho está mudando, os benefícios corporativos também precisam acompanhar essa transformação. Os colaboradores valorizam soluções que são alinhadas à própria rotina no ambiente corporativo.
Benefícios flexíveis, como vale-alimentação, por exemplo, permitem que as pessoas utilizem os recursos de acordo com suas necessidades, trazendo mais autonomia e praticidade no dia a dia.
Para a empresa, esse tipo de incentivo pode contribuir para a retenção de talentos e a redução de turnover em um contexto onde a qualidade de vida é cada vez mais desejada pelos colaboradores.
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