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Uma pesquisa revelou os principais erros de higiene que os brasileiros cometem na cozinha e os riscos à saúde. Descubra quais são e como evitá-los.

Alguns erros de higiene cometidos nas cozinhas dos lares brasileiros são tão comuns que muita gente nem sabe que o ideal seria não fazê-los, como: lavar determinados alimentos e descongelar a carne fora do refrigerador.
Na rotina do dia a dia, lavar, cortar, temperar, cozinhar e armazenar parecem coisas simples. Mas uma pesquisa da Universidade de São Paulo mostrou que boa parte dos brasileiros comete equívocos que podem colocar a saúde em risco.
O estudo foi conduzido pelo Food Research Center (FoRC), ligado à Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e os resultados revelaram práticas inadequadas com os alimentos dentro de casa. Ou seja: o perigo, muitas vezes, está na nossa própria cozinha.
Com o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, celebrado em 7 de junho, é um bom momento para a gente falar sobre o tema e fazer essa revisão na forma de cozinhar em casa.
A partir da resposta de mais de 5 mil participantes de todos os estados, o estudo da USP mapeou os hábitos de higiene, manuseio e armazenamento de alimentos mais comuns nos lares brasileiros.
O resultado foi: uma série de costumes aprendidos ao longo da vida e muito difundidos na nossa cultura alimentar que são repetidos no piloto automático, às vezes, há gerações — mas que podem colocar a qualidade dos alimentos em risco e prejudicar a saúde.
A boa notícia é que, uma vez identificados, esses erros são simples de corrigir. Nenhum exige equipamento especial, curso técnico ou reforma na cozinha. Só informação e um pequeno ajuste de hábito.
E esse assunto importa mais do que parece. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas adoecem por ano no mundo inteiro em decorrência de doenças transmitidas por alimentos. No Brasil, entre 2000 e 2018, o Ministério da Saúde registrou oficialmente mais de 247 mil casos. Vem com a gente entender quais são os erros mais comuns nas cozinhas brasileiras:
Quase metade dos participantes da pesquisa, cerca de 46,3%, afirmou ter o hábito de lavar carnes na pia antes de cozinhar. E apesar de isso parecer um gesto de cuidado, é exatamente o contrário disso.
Quando você lava carne (especialmente frango) embaixo da torneira, os respingos de água espalham bactérias como Salmonella e Campylobacter por toda a superfície da pia, na bancada ao redor, nos utensílios próximos e até em outros alimentos que estiverem por perto.
A orientação dos especialistas é de não lavar carne crua. O cozimento adequado — a uma temperatura mínima de 74 °C no interior do alimento — é o que elimina os microrganismos patogênicos de forma segura. A água fria não faz isso; ela apenas espalha o problema.
O estudo também identificou que 24,1% dos entrevistados costumam consumir carnes mal cozidas, e que 17,4% consomem ovos crus ou antes do ponto adequado, como em preparações com maionese caseira e ovos com gema mole.
Nem todo alimento cru de origem animal contém patógenos, mas o risco existe e não é pequeno. Bactérias como Salmonella, E. coli e Listeria podem estar presentes em carnes e ovos in natura sem nenhum sinal visível de contaminação.
A recomendação é cozinhar carnes até que a temperatura interna atinja pelo menos 74 °C. Para ovos, isso significa gema e clara totalmente firmes. Pode parecer rigoroso, mas é a forma recomendada para reduzir esse risco.
Outro erro bastante frequente: 31,3% dos participantes afirmaram higienizar verduras apenas com água corrente, e 35,7% fazem o mesmo com frutas.
A água corrente remove sujeiras visíveis, mas pode não ser suficiente para reduzir completamente microrganismos presentes na superfície dos alimentos.
Para vegetais que serão consumidos crus, a recomendação é usar uma solução clorada (hipoclorito de sódio a 2,5%) diluída em água, deixando o alimento de molho por pelo menos 10 minutos, seguido de enxágue em água corrente. Esse processo auxilia na desinfecção microbiológica dos alimentos.
Já frutas e legumes que serão cozidos, ou frutas que serão consumidas sem a casca, não precisam passar por essa etapa de desinfecção — a higienização com água corrente é suficiente nesses casos.
Esse é um dos erros mais perigosos e menos percebidos: 11,2% dos participantes relataram guardar sobras na geladeira somente após mais de duas horas do preparo.
A temperatura ambiente — especialmente no Brasil, onde o calor é constante — é o ambiente ideal para a multiplicação de bactérias em alimentos prontos. Segundo os pesquisadores da USP, esse é um dos principais fatores responsáveis por surtos de doenças de origem alimentar.
A regra é simples: comida pronta que não vai ser consumida imediatamente deve ir para a geladeira em até duas horas.
Tirar a carne do freezer e deixar descongelando na pia ou em um recipiente com água em temperatura ambiente é outro hábito muito difundido — e problemático. A pesquisa mostrou que 39,5% dos participantes descongelam alimentos em temperatura ambiente e 16,9% fazem isso dentro de um recipiente com água.
O problema é que enquanto o interior do alimento ainda está congelado, a camada externa já atinge temperaturas que favorecem o crescimento bacteriano.
As formas seguras de descongelar são: dentro da geladeira (o método mais seguro, mas que exige planejamento com antecedência), no micro-ondas ou diretamente no cozimento — para alimentos que permitem esse tipo de preparo.
Por fim, 57,2% dos entrevistados relataram armazenar carnes na própria embalagem de mercado dentro da geladeira. A questão aqui é o gotejamento: o suco da carne crua pode vazar e contaminar outros alimentos armazenados abaixo ou ao redor.
O ideal é transferir a carne para um recipiente fechado e adequado antes de refrigerar — e sempre colocá-la nas prateleiras inferiores da geladeira, longe de alimentos que serão consumidos crus.
A boa notícia da pesquisa: 91% dos refrigeradores avaliados estavam na faixa de temperatura recomendada, entre 0 e 10 °C. A temperatura certa da geladeira atrasa a multiplicação microbiana e preserva os alimentos por mais tempo.
Esses erros de higiene na cozinha são comuns, mas todos são evitáveis. E corrigi-los faz diferença na sua saúde e da sua família.
O Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, celebrado em 7 de junho, existe justamente para reforçar que a segurança dos alimentos também passa pelas nossas escolhas dentro de casa.
Agora que você já sabe o que evitar, que tal transformar isso em hábito?
Comer bem também passa pela escolha de ingredientes frescos e pelo cuidado no preparo dos alimentos no dia a dia.
Com o Alelo Refeição e o Alelo Alimentação, fica mais fácil incluir essa rotina na prática, com acesso a uma ampla rede de estabelecimentos para fazer compras e montar refeições de forma equilibrada e segura.
E agora que você já sabe como manusear os alimentos corretamente, que tal conferir a rede credenciada da sua região e planejar suas compras com mais praticidade e segurança?
FAQ
1 - Posso usar o mesmo utensílio para cortar carne crua e legumes?
Não. Essa prática se chama contaminação cruzada e é uma das principais causas de intoxicação alimentar em casa. Bactérias presentes na carne crua transferem para a tábua ou faca e, a partir daí, para qualquer outro alimento que entrar em contato com esses utensílios. O ideal é ter tábuas separadas para carnes cruas e para vegetais — ou, no mínimo, lavar bem com água quente e detergente entre um uso e outro.
2 - Com que frequência devo higienizar a esponja de lavar louça?
A esponja é um dos objetos com maior concentração de bactérias dentro de casa — e muita gente esquece disso. O recomendado é trocá-la a cada uma ou duas semanas, ou sempre que apresentar mau cheiro. Entre as trocas, uma boa prática é deixá-la de molho em solução clorada por alguns minutos ou aquecê-la no micro-ondas úmida por 1 a 2 minutos para reduzir a carga microbiana.
3 - Alimento que caiu no chão ainda pode ser consumido?
A chamada “regra dos 5 segundos” é mito. Bactérias transferem para o alimento no momento do contato, independentemente do tempo. A decisão de consumir ou não depende do tipo de alimento e da superfície — mas do ponto de vista da segurança alimentar, o descarte é sempre a opção mais segura, especialmente para alimentos úmidos ou que serão consumidos crus.
4 - Preciso lavar as mãos só antes de cozinhar?
Antes de cozinhar é essencial, mas não é o único momento. A lavagem das mãos deve acontecer também após manusear carne crua, após mexer no lixo, após assoar o nariz ou tossir, e sempre que houver troca de tarefa na cozinha. E sempre que possível, o ideal é, além de lavar com água e sabão, também utilizar álcool 70 para melhor desinfecção.
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