Queda da taxa Selic em 2026: como o RH deve mapear as oportunidades de crescimento

Mulher pensativa

 

Juros altos dão medo, não é mesmo? A boa notícia é que a inflação tem desacelerado nos últimos meses, tanto que a expectativa dos bancos é de que a taxa Selic inicie 2026 em queda.

Atualmente em 15% ao ano, o índice está no maior nível desde julho de 2006. Desde setembro de 2024, a taxa já foi elevada sete vezes seguidas.

Segundo a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, 85,7% das instituições ouvidas acreditam que o ciclo de queda da taxa Selic deve iniciar no primeiro trimestre de 2026. 

Mas o que isso significa para as empresas? E como o RH pode atuar de forma estratégica para garantir um crescimento sustentável da organização?

A Alelo conversou com a economista e coordenadora de Ciências Econômicas da FMU, Natalie Verndl, para entender os principais impactos da queda da taxa Selic no mundo corporativo. Bora conferir?

 

O que é a taxa Selic e como ela funciona?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por estabelecer diretrizes para a política monetária nacional.

Ela tem um papel no controle da inflação e na regulação da atividade econômica, impactando diretamente a rentabilidade de investimentos, o custo do crédito e as condições de financiamento no país.

De acordo com a definição do próprio Banco Central, a Selic é a taxa média de juros cobrada nas operações compromissadas, que são transações realizadas com títulos públicos federais de curto prazo.

Essas operações envolvem bancos que tomam recursos emprestados do BC, usando títulos do governo como garantia. Ou seja, a Selic representa o custo que as instituições financeiras pagam para obter empréstimos de curto prazo.

A taxa Selic serve como referência para outros juros praticados na economia nacional, sendo o parâmetro para estabelecer o preço do crédito que será oferecido tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.

 

Qual o impacto da redução da taxa Selic para as empresas?

De acordo com a economista Natalie Verndl, uma grande parcela de pequenas e médias empresas depende da concessão de crédito para se desenvolver e manter o capital de giro.

Uma redução na taxa Selic acaba sendo um fator importante, pois reduz o custo dos empréstimos, com juros mais baratos.

“Ter um maior capital de giro abre espaço para que a empresa consiga fazer alguns investimentos que estavam represados. É um cenário com uma condição financeira muito favorável, que acaba sendo resultado da própria expansão do consumo e da confiança”, afirma.

Ainda de acordo com a economista, a redução da taxa Selic possibilita:

●      Reorganização das dívidas, dando prioridade para as mais elevadas;

●      Fortalecimento do fluxo de caixa;

●      Ampliação de projetos;

●      Aumento na geração de empregos;

●      Maior ganho de competitividade por parte da empresa.

 

Quais fatores influenciam na queda da taxa Selic?

Natalie explica que a taxa Selic está, geralmente, ancorada em expectativas de inflação. Isso significa que, quando há uma previsão de aumento na inflação, o índice é ajustado, como se fosse um remédio para controlar a doença.

Da mesma forma, quando há uma queda na inflação, a taxa Selic também tende a cair, pois o “remédio” já não é mais necessário.

Outro fator com grande influência é o cenário fiscal. Quando há um aumento de gastos públicos, isso não só pode gerar inflação, como também uma diminuição no controle das contas.

“Um déficit fiscal muito grande impacta na Selic, pois o país passa a ter um risco mais elevado. Esse risco é justamente o de não arcar com as dívidas. Quanto mais se gasta, menor a possibilidade de pagamento”, comenta a economista.

 

Como as empresas podem crescer de forma sustentável?

Como vimos, a redução da taxa Selic representa um cenário favorável para as empresas, e o RH desempenha um papel central nesse contexto.

Com o crédito mais barato, há uma certa tentação de contrair empréstimos para crescer. Porém, Natalie alerta que isso deve ser feito com moderação e um planejamento cauteloso.

“As empresas precisam pensar no pagamento de seus fornecedores, planejar a longo prazo e, se possível, expandir os prazos. É importante também que haja investimentos em termos de produtividade, eficiência dos trabalhadores, inserção de novos modelos tecnológicos, qualificação de equipe e uma eficiência operacional significativa, para que o crescimento da empresa não dependa somente do fator crédito”, explica a economista.

Em resumo, a empresa pode aproveitar o momento para expandir — ou seja, fazer novas contratações. É aí que entra o RH, que precisa fazer com que o processo seletivo seja o mais assertivo possível, pensando em perfis de longo prazo para os objetivos da organização. Afinal, de que adianta contratar no início do ano e ter que demitir poucos meses depois?

“Quando a empresa tem um ciclo econômico mais depressivo, não pode ficar refém de ter que arcar com dívidas elevadas. Por isso, é preciso ter uma estrutura para manter a competitividade no longo prazo”, explica Natalie.

 

5 pontos que devem ser avaliados pelas empresas

A economista Natalie Verndl citou cinco pontos que a empresa precisa analisar antes de tomar um empréstimo durante o período de baixa da taxa Selic. São eles:

1 - Redução de custos

Este é o momento para renegociar dívidas e aproveitar para fazer um financiamento mais barato, pensando em um projeto de expansão sustentável a longo prazo — focado em modernização e produtividade para melhoria do fluxo de caixa.

2 - Planejamento do uso de crédito

Pode parecer básico, mas colocar todas as contas na planilha ajuda em um planejamento responsável do uso do crédito.

“Isso evita o uso de crédito em termos de uma bolha, com crescimento rápido e depois a falência do projeto ou até mesmo da empresa, em última instância”, destaca a economista.

3 - Pensar na produtividade

A produtividade é o pilar que vai garantir a sustentabilidade estrutural da empresa. Com tecnologia e treinamento das equipes, a empresa não ficará dependente apenas do uso do crédito para se manter competitiva.

4 - Controle rígido sobre os preços

É necessário que a empresa tenha resiliência a longo prazo, mantendo um controle rígido sobre os preços e administrando o endividamento, evitando a oscilação constante entre ciclos depressivos e prósperos.

“Isso permite que a empresa tenha uma expansão durante os ciclos positivos e, ao mesmo tempo, tenha recursos para sobreviver em ciclos depressivos”, afirma Natalie.

5 - Pensar no potencial de demanda

O último ponto envolve pensar no potencial de demanda, principalmente no começo do ano, para que a empresa consiga alavancar sua perspectiva de vendas em um cenário de juros menores e ambiente mais favorável.

Quer deixar a empresa organizada e evitar dores de cabeça? Faça o download do “Guia prático: RH descomplicado para pequenos negócios” e saiba como fazer a organização crescer de forma sustentável.

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