Fim de ano: as estratégias do RH para manter o engajamento da equipe na reta final de 2025

No fim de ano, o aumento da pressão e do cansaço exige que o RH atue para manter a produtividade sem comprometer o bem-estar e o engajamento

estratégias do RH para manter o engajamento da equipe

Fadiga acumulada, ansiedade para as festas de fim de ano e o planejamento pessoal para um novo ciclo… Com tudo isso acontecendo, a mente do colaborador se volta para qualquer coisa, exceto as tarefas pendentes, né? 

E então surge a questão: como manter os trabalhadores produtivos e fazer com que o próximo ano comece de maneira mais leve, organizada e com metas bem definidas? É exatamente nesse momento que as empresas precisam ser estratégicas para manter a produtividade da equipe

Esse período, normalmente vivido ao longo do último trimestre, costuma ser desafiador (e muitas vezes estressante) para o time. Afinal, há a pressão para cumprir prazos e fechar balanços, o cansaço acumulado e a expectativa por recessos e férias.

Segundo divulgado por veículos como a SHRM, dados levantados pelo site de empregos Monster, por meio de uma enquete feita em novembro de 2024, revelou que 53% dos profissionais dizem sentir mais estresse do que o normal durante as festas de fim de ano.

Esse cenário, se não bem gerido pelo setor de Recursos Humanos, pode resultar em um “desânimo geral” entre os colaboradores, interferindo diretamente no desempenho e no engajamento nos últimos meses do ano, podendo afetar as decisões e o planejamento para o ano seguinte. 

Esse assunto acende um alerta para o RH, que precisa criar estratégias capazes de garantir que o fim de ano seja um período de produtividade, e não de desaceleração dos colaboradores. 

Para conversar sobre esse tema, convidamos Caio Infante, vice-presidente da Radancy para a América Latina e cofundador da Employer Branding Brasil, Eduardo Bomfim Machado, professor de Gestão e Administração do UniArnaldo Centro Universitário e Heloisa Feliciano da Silva, Analista Gente Sênior com foco em Comunicação Interna e ASG (Ambiental, Social e Governança), da Alelo. 

Bora entender mais do assunto? 

Por que o fim de ano costuma ser um período estressante e desafiador para os colaboradores?

Não há dúvidas de que o fim de ano é um período de maior pressão. “É a famosa ‘dança das cadeiras’, em diferentes posições. E tudo isso, dependendo do momento do profissional e da empresa, gera muita incerteza, além da pressão por resultado. Se vai empurrando o primeiro, o segundo e o terceiro trimestre e acaba apostando todas as fichas para o último e fica aquela loucura”, afirma Caio Infante. 

Segundo Heloisa Feliciano da Silva, “queremos que tudo aquilo que fizemos de planejamento no início do ano dê certo e seja entregue, seja de projeto, orçamento, metas... Por isso, as pessoas intensificam as cobranças, a agitação e a ansiedade para conseguir cumprir os combinados”. 

Com esse cenário de cumprimento de metas e de maior pressão, os ânimos ficam mais elevados - o que pode gerar um desgaste maior entre os colaboradores, os gestores e as equipes, prejudicando a produtividade.  

“Quando esses processos de cobrança de batimento de meta acabam sendo excessivos, os colaboradores podem sentir a pressão e extrapolar para o lado negativo da coisa. Tudo em demasia é ruim e pode ocasionar impactos emocionais”, pondera Heloisa. 

Mas é claro que são vários pequenos pontos que geram essa situação: avaliação do desempenho, insatisfação profissional, questões pessoais, festas em vista… e por aí vai. A lista pode ser bem longa. 

Ainda, também é nessa época que as empresas concluem seus planejamentos estratégicos, revisam seus quadros de colaboradores e analisam o desempenho de cada profissional ao longo do ano.

Para o professor Eduardo Bomfim, no último trimestre, os colaboradores podem enfrentar uma situação de insegurança: “Para os profissionais, fica a preocupação em manter o seu desempenho, conseguir conciliar as demandas pessoais e se imaginar dentro dos planos da empresa para o próximo ano, já que o momento de revisão de estratégias e resultados pode impactar em transferências, redesenho de cargos e até desligamentos.”

Eduardo Bomfim Machado, professor de Gestão e Administração do UniArnaldo Centro Universitário

quotation-marks“O RH precisa engajar o colaborador em atividades que possam maximizar o seu desempenho e, ao mesmo tempo, minimizar a sua percepção de FLOGO (Fear Of Getting Laid Off), que sugere a impressão de que será desligado a qualquer momento.”

Eduardo Bomfim Machado, professor de Gestão e Administração do UniArnaldo Centro Universitário

Impactos emocionais do fim de ano e o papel do RH para mitigá-los

Há evidências científicas de que a dinâmica do fim de ano (acúmulo de tarefas e prazos apertados) afeta os níveis de estresse e burnout dos profissionais. Cabe ao RH atuar para suavizar esses efeitos nocivos, prevenindo problemas mais sérios na saúde dos colaboradores. Mas como?

Segundo Heloisa, “nosso papel deve e pode ser de acolher, entender onde estão os principais gaps nos times - até pessoal, para alguns casos -, e buscar apoiar com as principais decisões, necessidade de repriorizações e não deixar a moral ser abalada”.

Para a gestora, “essa é a importância de um RH estratégico que conhece do negócio”. Desse modo, junto às lideranças, o setor de Recursos Humanos consegue entender em quais pontos precisa atuar de maneira mais acentuada. 

“Além disso, é importante manter as ações de costume, às vezes até criar uma confraternização nova para levantar o astral, mas, acima de tudo, é buscar mecanismos de manter o time unido e focado, trabalhando em equipe”, conclui. 

Mas vale destacar que, como pontua Caio, “qualquer trabalho sob pressão, se o profissional não estiver bem preparado psicologicamente, acaba gerando efeitos negativos”. E cabe ao RH estar atento para não fazer com que o ambiente se torne tóxico e emocionalmente sobrecarregado. 

“O primeiro passo do RH é equilibrar um pouco mais os números e as cobranças. Muitas empresas já estão fazendo o que, no ano que vem, se torna lei: olhar mais para a saúde, inclusive a mental, dos colaboradores e desenvolver programas de acompanhamento. O segredo é trabalhar de forma preventiva”, alerta Caio. 

Para Eduardo, uma das maneiras de o RH contribuir para mitigar as consequências desse período na saúde emocional dos profissionais é agir com transparência.

“O RH precisa engajar o colaborador em atividades que possam maximizar o seu desempenho e, ao mesmo tempo, minimizar a sua percepção de FLOGO (Fear Of Getting Laid Off), que sugere a impressão de que será desligado a qualquer momento”, diz. 

Caio Infante, vice-presidente da Radancy para a América Latina e cofundador da Employer Branding Brasil

quotation-marks“O primeiro passo do RH é equilibrar um pouco mais os números e as cobranças. Muitas empresas já estão fazendo o que, no ano que vem, se torna lei: olhar mais para a saúde, inclusive a mental, dos colaboradores e desenvolver programas de acompanhamento. O segredo é trabalhar de forma preventiva.”

Caio Infante, vice-presidente da Radancy para a América Latina e cofundador da Employer Branding Brasil

Como a comunicação interna deve ser ajustada no último trimestre do ano?

Ter uma comunicação clara e objetiva é a chave para que o ambiente de trabalho seja mais leve durante o fim do ano. Os feedbacks também podem ser alternativas interessantes para que haja um melhor alinhamento entre os colaboradores.

Para Caio, uma comunicação interna que não seja transparente gera insegurança e pode acionar gatilhos que afetam a saúde mental da equipe. E a empresa não deve se prejudicar por falta de cuidado com seus profissionais.

De acordo com ele, “quanto mais a empresa puder se comunicar, melhor, e se puder celebrar as pequenas conquistas fica mais perfeito ainda. Comunicação tem que ser algo recorrente e, infelizmente, muita gente reclama não saber (ou saber pouco) sobre os passos e os planos das empresas onde trabalham.”

Nesse mesmo sentido, Eduardo concorda que a comunicação interna é fundamental e funciona como um “braço direito” da gestão e do RH, ajudando a manter os colaboradores informados, motivados e engajados. E, para que isso funcione, é necessário usar ferramentas e práticas como agenda comum e reuniões programadas. 

Já para Heloisa, é fundamental se debruçar sobre o que pode estar deixando os colaboradores ansiosos. Assim, é possível ajudá-los com a informação que eles buscam, facilitando a resolução de problemas. Ainda, de acordo com a gestora, “ter um filtro para qual tipo de comunicação e ação é lançada nesse momento é super válido também”.

Além da pressão, é importante reforçar que o fim de ano também deve ser um momento para celebrar conquistas e alinhar o planejamento estratégico para o ano seguinte, algo que exige uma comunicação interna clara com os colaboradores.

“É importante também que o time de comunicação interna sinta o humor geral da companhia para ajustar o tom de voz de suas comunicações, seja para elevar a felicidade no trabalho, seja para direcionar ao esperado deles no final de ano. Uma comunicação que não acompanha o que está acontecendo em tempo real pode contribuir para resultados negativos. Por isso, deve-se manter em atenção nas áreas estratégicas e, se possível, colados na alta liderança”, diz. 

Papel das pausas para descanso, das celebrações internas e dos rituais de fechamento 

Férias e recessos influenciam diretamente a recuperação do estresse e o bem-estar no trabalho. Mas há celebrações, festas e dinâmicas que podem funcionar muito bem para elevar o humor da equipe.

Para Caio, a liderança deve apoiar as pausas e as celebrações, pois isso ajuda a criar um ambiente corporativo mais seguro e tranquilo. “A dica para o RH é não esperar só o final do ano para celebrar e dividir conquistas, isso tem poder de engajar e animar a equipe para o próximo ano”, afirma.

Eduardo ressalta que os rituais de fechamento de ano e as pausas para descanso devem ser momentos de gratidão, celebração, reforço e reprogramação para o próximo ano.

“Está mais que comprovado que pausas estratégicas são superimportantes para a produtividade. Micro-pausas inteligentes podem ser práticas sustentáveis bem úteis no dia a dia, especialmente nos mais corridos”, corrobora Heloisa. 

Segundo conta a gestora, na Alelo, em junho, foi feita uma ação de Dança de Quadrilha de Festa Junina, a fim de promover a conexão e a diversão. “Foram 15 minutos de renovação mental para nossos colaboradores”, pontua. 

E por que não promover uma dinâmica de fim de ano com seus colaboradores de modo estratégico e que possa potencializar a produtividade de cada um? Uma troca de presentes, um reconhecimento público de alguma conquista ou até mesmo um almoço em conjunto fora da empresa pode funcionar bem. 

Heloisa Feliciano da Silva, Analista Gente Sênior com foco em Comunicação Interna e ASG (Ambiental, Social e Governança), da Alelo

quotation-marks“Com o atual dinamismo do mundo corporativo, aumentar o engajamento das pessoas colaboradoras é essencial para garantir o sucesso das organizações. Eventos Corporativos têm um papel fundamental para alcançar esse objetivo, uma vez que reforçam mensagens organizacionais, fomentam a cultura e reforçam laços entre colaboradores e empresa. E em tudo isso, deve estar a priorização dos colaboradores, com a saúde mental, a criação de conexão e reforço de cultura.”

Heloisa Feliciano da Silva, Analista Gente Sênior com foco em Comunicação Interna e ASG (Ambiental, Social e Governança), da Alelo

Quais métricas o RH deve acompanhar para se prevenir para o fim do ano?

Para Caio, uma das métricas mais eficazes de acompanhamento para o RH é o turnover, já que os profissionais tendem a se sentir mais pressionados, o que os leva a avaliar novas oportunidades no mercado, justamente em um período em que as empresas também ampliam suas vagas devido à renovação natural dos times.

“É preciso garantir que os profissionais estejam confortáveis nas suas posições, que estejam tendo boas relações de trabalho e estejam motivadas para não saírem procurando emprego. Mais uma vez é importante trabalhar de forma preventiva, principalmente com aqueles talentos que a empresa não quer perder”, comenta Caio.  

Para Eduardo, “com feedback constante, avaliação de desempenho, metas bem definidas e uma liderança capaz de desenvolver e reter talentos, podem transformar o ambiente de trabalho em algo que traz realização pessoal ao colaborador.”

Quais aprendizados guiam o planejamento do próximo ano? 

Na visão de Caio, neste ano as pessoas estão bastante desengajadas ou pouco motivadas. Ele cita dados do Linkedin que mostram que 80% das pessoas estão abertas a uma nova oportunidade profissional e que esse número nunca foi tão alto.

Ele comenta: “As relações de trabalho estão um pouco estremecidas e cada vez mais impessoal. A cultura fica enfraquecida e sempre falta alguma coisa. Tem, também, o fato de que contratar nunca foi tão difícil, os talentos mais desejados estão bem empregados e quem está no mercado não está ‘muito a fim’.” 

Nesse mesmo sentido, Heloisa destaca que é fundamental reconhecer que mudanças podem ocorrer rapidamente, tanto internamente quanto no mercado. Por isso, o time precisa iniciar o ano com um planejamento consistente, identificando as entregas mais relevantes e estratégicas, que servirão de guia e prioridade ao longo dos meses. 

Caio explica que, diante da dificuldade em contratar com qualidade, este é um momento favorável para investir no chamado planejamento da força de trabalho. Isso significa analisar quais setores já estão estruturados, quais ainda precisam de reforço, quais talentos a organização possui internamente e quais será necessário buscar no mercado.

Para Eduardo, o desempenho de uma organização depende de alguns fatores que muitas vezes não são previstos no planejamento atual, mas que podem ser levados como aprendizado e aplicados no próximo planejamento. 

“A flexibilidade e capacidade de adaptação são essenciais para lidar com situações inesperadas e ajustar estratégias quando necessário”, diz Eduardo.

Novamente, Heloisa ressalta a importância de a comunicação interna acompanhar desde cedo as diretrizes definidas pela liderança, para orientar a equipe sobre o que é mais importante para a empresa.

“Com o atual dinamismo do mundo corporativo, aumentar o engajamento das pessoas colaboradoras é essencial para garantir o sucesso das organizações. Eventos Corporativos têm um papel fundamental para alcançar esse objetivo, uma vez que reforça mensagens organizacionais, fomenta a cultura e reforça laços entre colaboradores e empresa. E em tudo isso, deve estar a priorização dos colaboradores, com a saúde mental, a criação de conexão e reforço de cultura”, finaliza. 

Mantenha sua equipe engajada!

Encerrar o ano com equilíbrio entre produtividade, transparência e cuidado é essencial para que o próximo comece com tranquilidade. 

Quando o RH adota uma postura preventiva, incentiva pausas, celebra conquistas e mantém uma comunicação clara, cria-se um ambiente em que as metas são alcançadas sem comprometer o bem-estar de seus colaboradores. 

Assim, as empresas começam o novo ano com engajamento e um time pronto para entregar excelentes resultados mesmo diante de possíveis desafios que possam surgir ao longo do caminho. 

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