Licença maternidade: como o RH pode auxiliar as mães no retorno ao trabalho?

RH pode auxiliar as mães no retorno ao oferecer jornadas mais flexíveis e criar políticas anti-discriminação na empresa

Como o RH pode ajudar as mães no retorno ao trabalho

A volta ao trabalho após a licença-maternidade costuma vir acompanhada de uma mistura de sentimentos: saudade da rotina profissional, dúvidas com o bem-estar da criança e uma sensação de insegurança. De acordo com uma pesquisa da B2Mamy e Kiddle Pass, 9 em cada 10 mães apresentam algum nível de esgotamento mental. 

Outra pesquisa, realizada Catho, plataforma gratuita de empregos, apontou que 60% das mães entrevistadas no Brasil estão fora do mercado de trabalho. 

O levantamento foi feito em 2025 e destaca as dificuldades que as mulheres enfrentam para se manterem ativas e crescer profissionalmente no país após a maternidade.

Para o RH, isso representa um desafio importante: como criar um ambiente onde as mães consigam  retomar suas carreiras com segurança? A boa notícia é que existem alguns caminhos práticos para isso. Bora conferir?

Quais são os direitos das mães durante a licença-maternidade? 

A licença-maternidade é um direito garantido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assegurando que mães possam ficar com seus bebês por 120 dias ou mais, sem redução de salário e com estabilidade. 

Todas as funcionárias com carteira assinada podem solicitar o afastamento, bastando apresentar um atestado médico com a data de início da licença ao RH. 

Trabalhadoras informais e empreendedoras, desde que estejam em dia com o INSS, também podem se afastar de suas atividades por 120 dias e receber um salário-maternidade durante o período.

Em 2025, a lei passou por uma alteração, estabelecendo que quando a mãe ou o bebê precisam permanecer internados por mais de duas semanas devido a complicações no parto, o período de internação será somado aos 120 dias de licença já previstos.

Assim, na prática, isso significa que a contagem da licença-maternidade começa apenas depois da alta médica da mãe ou da criança. Essa medida busca fortalecer o vínculo afetivo, preservar o cuidado materno e evitar prejuízos salariais, profissionais e emocionais.

Como funciona a estabilidade das novas mães?

A legislação trabalhista assegura que a estabilidade é devida a partir do momento em que a gravidez é confirmada. A regra vale, inclusive, para aquelas em contrato de experiência. 

Ela determina que é vetada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

Existem casos em que a funcionária descobre que está grávida durante o aviso prévio. Quando isso acontece, a empresa deve manter a colaboradora no quadro de empregados pelo menos até o período de cinco meses após o nascimento do bebê. 

Demissões após a licença-maternidade 

Apesar da legislação assegurar estabilidade, muitas mulheres são surpreendidas com uma demissão pouco tempo depois do parto. 

Isso é comprovado pelos dados do sistema eSocial, junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), que contabilizou mais de 380 mil demissões após o término do benefício entre 2020 e 2025. 

Segundo o SIT, não há um levantamento específico de demissões ocorridas dentro do período de estabilidade, mas há dados sobre outras modalidades de desligamentos como pedidos de demissão e distratos (rescisão em comum acordo). Confira: 

Demissões após a licença-maternidade

 

Os números demonstram que a permanência das mulheres no mercado de trabalho ainda é um desafio estrutural, em que muitos empregadores não adotam políticas efetivas de apoio ao compartilhamento de responsabilidades. 

Ainda de acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram 1.229 denúncias envolvendo violações ao direito à licença-maternidade entre 2023 e 2025.

Vale ressaltar que em caso de discriminação comprovada no ambiente de trabalho, a empresa poderá receber auto de infração e multa administrativa. 

Quais são os desafios enfrentados pelas mães? 

Os primeiros meses de maternidade podem ser desafiadores para as novas mães, que enfrentam o puerpério, mudanças químicas no cérebro e que ainda estão se adaptando a responsabilidade de cuidar de uma nova vida

Por isso, sentir insegurança sobre estar ou não fazendo a coisa certa, experimentar sensações de culpa, solidão, cansaço físico e mental, são alguns dos desafios desse período.

Neste contexto, uma das maiores dificuldades é a falta de uma rede de apoio para lidar com essa fase. Muitas mães retornam ao trabalho sem conseguir vaga na creche, sem apoio familiar ou alternativas compatíveis com a rotina profissional. 

No âmbito emocional, muitas mulheres podem se sentir culpadas por voltar às atividades laborais e, ao mesmo tempo, ter medo de serem vistas como menos comprometidas no trabalho. 

Como o RH pode apoiar as mães no retorno ao trabalho? 

O RH desempenha um papel central na construção de políticas internas mais justas. Para isso, não é necessário que a empresa faça grandes investimentos. Muitas vezes começa com ajustes na cultura organizacional, escuta ativa e pequenas mudanças que fazem uma diferença enorme. 

Veja a seguir alguns exemplos: 

Criar um onboarding de retorno 

Uma situação comum no ambiente corporativo é levar um tempo para pegar o ritmo após o período de férias. Imagine então uma mãe que se afastou do trabalho por 120 dias. 

Depois do período de maternidade, muitas coisas podem ter mudado na empresa. Por isso, o RH deve preparar um onboarding de retorno para ajudar a funcionária a se reintegrar com mais segurança. 

Esse processo pode incluir: 

  • atualização sobre mudanças internas e o momento da empresa; 
  • alinhamento de expectativas; 
  • acompanhamento gradual das demandas; 
  • espaços para dúvidas e adaptação. 

É importante que o RH também ajude a gerir as expectativas de gestores para evitar criar metas e expectativas irreais durante o retorno da colaboradora. 

Implementar programas de mentorias

Ter o apoio de outras mulheres que já passaram pela mesma experiência pode transformar completamente o retorno. 

Programas de mentoria na empresa ajudam as mães a reduzir suas inseguranças, compartilhar aprendizados, fortalecer vínculos e criar a sensação de pertencimento. E o melhor: esse tipo de ação também fortalece a cultura organizacional como um todo. 

Oferecer flexibilidade 

A flexibilidade é um elemento chave para a permanência das mães no mercado de trabalho. Afinal, os bebês demandam cuidados especiais que interferem na rotina profissional. 

Com isso, o RH pode ajudar as mães a equilibrar as obrigações oferecendo horários flexíveis, modelo híbrido e jornadas adaptáveis. Essas ações permitem que as colaboradoras cumpram suas demandas pessoais sem abrir mão da carreira. 

Criar políticas anti-discriminação

Não basta apenas falar sobre inclusão. É preciso estruturar políticas objetivas na empresa. Isso inclui o combate ao preconceito relacionado à maternidade. 

Neste cenário, o RH pode criar critérios transparentes para promoções, treinamentos com lideranças e canais seguros para denúncias. Quando a empresa deixa claro que não tolera o preconceito, todos são beneficiados.

Qual o papel dos benefícios corporativos para as mães? 

Quando a família ganha mais um membro, os benefícios corporativos passam a ser ainda mais importantes para as colaboradoras. Eles ajudam a reduzir a sobrecarga prática, financeira e emocional da maternidade. 

O vale-alimentação e o vale-refeição, por exemplo, permitem que a funcionária tenha acesso a alimentos tanto para ela, quanto para o bebê quando entrar na fase de introdução alimentar. 

Quando a colaboradora percebe que a empresa considera a sua realidade, o vínculo se fortalece. Para a empresa, essa é uma estratégia efetiva para reter talentos dentro do quadro de funcionários. 

Quer conferir mais temas como esse? Continue navegando no blog da Alelo e assine a newsletter “Tudo RH” no LinkedIn para ficar por dentro das novidades do mundo corporativo. 

 

FAQ

1 - Quais são os direitos das mães durante a licença-maternidade? 

A licença-maternidade é um direito garantido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assegurando que mães possam ficar com seus bebês por 120 dias ou mais, sem redução de salário ou risco de demissão. 

2 - Como funciona a estabilidade na licença-maternidade? 

A legislação trabalhista assegura que a estabilidade é devida a partir do momento em que a gravidez é confirmada. Ela determina que é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

3 - Como o RH pode apoiar as mães no retorno ao trabalho? 

O RH pode criar um onboarding de retorno para contextualizar a funcionária durante o seu retorno, além de estabelecer políticas internas anti-discriminação e oferecer flexibilidade de horários e escala para as funcionárias. 

 

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