
Novas lideranças: qual o perfil e como capacitar gestores para o que as empresas precisam agora?
Lideranças com capacidade de entregar resultados ganham a preferência em 2026 depois de um período focado no desenvolvimento de soft skills.
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Entre as lições que o SXSW 2026, uma das mais relevantes foi a importância de reconhecer o fator humano em um mundo altamente tecnológico.

Foto: Adam-Kissick - https://sxsw.com
Todo ano em Austin, no Texas, acontece o South by Southwest (SXSW), festival que reúne milhares de profissionais do mundo inteiro para falar sobre: tecnologia, negócios, cultura, música e cinema.
O evento é dividido em três frentes: a Conference, focada em inovação e negócios; o Film & TV Festival; e o Music Festival.
E na primeira, temas relacionados ao universo organizacional são discutidos em conferências, os conteúdos são organizados em trilhas temáticas (tracks). E a edição de 2026 ofereceu cerca de 12 trilhas, cobrindo temas como Workplace (local de trabalho) e Tech & AI (tecnologia e inteligência artificial).
Tudo acontece como uma curadoria feita pra você não se perder no meio de tanta coisa boa, mas, sabe quem define esses temas?
Um comitê, que acompanha as tendências globais do momento, como IA, sustentabilidade e futuro do trabalho, combinando votação aberta da comunidade com a visão de especialistas do setor.
O resultado é uma programação conectada com o que realmente importa para as pessoas e para os negócios. Bora descobrir quais foram os assuntos eleitos como mais relevantes de 2026?
O SXSW 2026 apontou para um cenário em que tecnologia, trabalho, saúde, cultura e comportamento deixam de existir em compartimentos separados e passam a compor uma espécie de “simbiose”.
Na biologia, esse termo faz referência a uma relação íntima e duradoura entre organismos de espécies diferentes e significa, literalmente, “viver junto”.
E assim como na natureza, essa relação pode ser harmônica (beneficiando pessoas e organizações) ou desarmônica (prejudicando uma das partes).
Nesta edição, quatro grandes blocos de discussão dominaram a programação: IA como infraestrutura do novo ciclo de negócios, transformação do trabalho, saúde e bem-estar, cultura e comportamento. Para quem atua com pessoas e organizações, o festival foi um sinal de que essas conversas chegaram pra ficar.
Nos últimos anos, o SXSW foi dominado por debates sobre inteligência artificial e automação. Mas agora em 2026, o festival sinalizou uma mudança de tom. O foco passou a ser o impacto das transformações culturais e tecnológicas sobre as pessoas.
Quem abriu essa conversa foi a jornalista e autora Jennifer B. Wallace, na abertura da trilha Workplace. Ela apresentou o conceito de mattering, em que as pessoas precisam sentir que são importantes — simples assim.
Para ela, muitas crises dentro das empresas, como desengajamento, ansiedade e burnout, podem estar ligadas justamente à ausência dessa sensação.
O recado que fica para líderes e times de RH é: se a inteligência artificial redefine tarefas, o papel das organizações passa a ser redefinir relações. Empresas que criam ambientes onde as pessoas se sentem valorizadas e integradas às novas tecnologias saem na frente em relação ao bem-estar, engajamento, inovação e resultado.
Ou seja, quando as pessoas sentem que não são vistas ou que seu trabalho não faz diferença, o resultado costuma ser afastamento emocional e perda de motivação.
Outro painel do evento contou com a participação dos especialistas Rana el Kaliouby e Bob Safian, que falaram sobre os rumos da inteligência artificial a partir de uma perspectiva ética, emocional e cultural.
Na conversa, eles enfatizaram que o futuro da IA será centrado nas pessoas, posicionando a tecnologia como intermediário nos processos organizacionais, não como tomador de decisões, e comentaram os riscos de uma tecnologia desconectada da experiência humana.
Eles reforçaram que para construir relações mais equilibradas, éticas e humanas é preciso encarar a IA como um amplificador de empatia, e não como substituta das decisões humanas. Nesse cenário, a responsabilidade continua sendo das pessoas, especialmente em áreas sensíveis como mídia, negócios e organizações sociais.
A inteligência artificial foi, de novo, um dos temas mais presentes no SXSW. Mas a cada ano a conversa evolui e ganha novos contornos. Agora, ela passa a ser vista como uma infraestrutura que sustenta a dinâmica corporativa.
Pra quem trabalha com RH, o alerta mais importante foi abordado em um dos painéis mais concorridos do evento, em que o futurista Neil Redding e a CEO da The Inclusion Learning Lab Margaret Spence falaram sobre a falsa premissa de que a IA é inerentemente neutra.
Segundo Spence, os algoritmos reproduzem os padrões inseridos neles. Se o histórico de uma empresa demonstra baixa contratação de mulheres ou de pessoas com mais de 40 anos, a ferramenta entregará um funil de candidatos com essas mesmas exclusões.
A partir disso, Redding propôs uma virada de chave: no lugar de “recursos humanos”, as empresas deveriam pensar em “recursos participativos”, numa dinâmica em que humanos e máquinas colaboram lado a lado. Afinal, a tecnologia potencializa, mas não substitui.
Ele também fez um alerta importante: delegar excessivamente tarefas à IA pode causar a atrofia de habilidades humanas fundamentais. Ou seja, a tecnologia potencializa, mas não substitui.
Para além das inteligências artificiais e da tecnologia, quando olhamos para o futuro do trabalho e para as novas gerações, a palavra que guiará o mercado é: propósito.
A dúvida das pessoas não será apenas “onde trabalhar”, mas “por que esse trabalho faz sentido na minha trajetória?”. E essa virada apareceu em vários painéis do SXSW. Esse questionamento apresenta uma provocação para organizações no mundo inteiro.
Talvez o desafio não seja apenas lidar com uma nova geração de profissionais, mas reconhecer que muitos modelos de liderança tradicionais ficaram defasados.
Hoje, liderar exige presença e intenção. A forma como um líder conduz conversas e toma decisões influencia diretamente o nível de confiança dentro de uma equipe.
Aliando isso a uma cultura acolhedora e colaborativa, esse combo pode transformar o trabalho em um espaço de pertencimento, e não apenas de entrega. Afinal, construir culturas organizacionais centradas nas pessoas também é evoluir e performar, mas sem esquecer o ativo mais valioso das empresas: o fator humano.
A gente fala sobre isso em um dos episódios do PodPapo, um bate-papo super legal que conecta o RH aos assuntos mais relevantes do momento. Vem conferir!
Aqui na Alelo, a gente acredita que acolher vem antes de desenvolver. Por isso, criamos a Cultura ECOA, com quatro pilares que guiam como a gente trabalha e se relaciona no dia a dia:
Na prática, funciona exatamente o que o SXSW reforçou. Em ambientes onde as pessoas sentem que importam, elas se entregam, engajam mais e podem até errar buscando o melhor, mas ajustam a rota com foco no resultado.
Cultura se vive nas decisões, nas conversas e nos pequenos rituais de todo dia.
Quer conhecer mais sobre a jornada ECOA? É só conferir aqui.
Podemos esperar que o futuro do trabalho seja definido para além da tecnologia ou da eficiência, com as empresas pensando cada vez mais em criar ambientes onde as pessoas queiram, de fato, estar e pertencer.
Vale lembrar que a inteligência artificial é extremamente eficiente para resolver problemas conhecidos e que dependem apenas de dados, mas situações novas, ambíguas, culturalmente sensíveis ou que envolvam emoção, exigem interpretação humana.
Por isso, criatividade, pensamento lateral e capacidade narrativa viram ativos estratégicos. E essas são características que apenas organizações humanas com uma cultura acolhedora poderão oferecer.
O SXSW 2026 não trouxe respostas prontas, mas esse é exatamente o ponto. A grande vantagem competitiva não está apenas em identificar tendências, mas em compreender convergências.
Tecnologia, cultura, saúde e liderança se conectam e se aceleram, por isso, as organizações precisam criar espaço para que essa simbiose aconteça de forma harmônica e positiva para todos.
Pra quem cuida de pessoas dentro das organizações, o festival deixou bem claro: o RH que vai fazer diferença nos próximos anos é aquele feito de gente pra gente — que usa a tecnologia como aliada, sem perder o olhar humano, que constrói ambientes onde as pessoas sentem que importam e que lidera com presença, não só com processos.
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