
Novas lideranças: qual o perfil e como capacitar gestores para o que as empresas precisam agora?
Lideranças com capacidade de entregar resultados ganham a preferência em 2026 depois de um período focado no desenvolvimento de soft skills.
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Realizar um planejamento estratégico com antecedência é essencial para garantir que o RH atue de forma estruturada e alinhada às metas.

Começar um novo ano com planejamento pode fazer toda a diferença na busca por resultados satisfatórios, especialmente para quem quer se preparar para as surpresas desagradáveis que possam surgir.
Para o setor de Recursos Humanos (RH), esse planejamento estratégico é igualmente essencial. Iniciar o ano com metas definidas e um plano estruturado ajuda a manter a organização ao longo dos meses, antecipar possíveis desafios e, ao fim de 365 dias, cumprir as metas definidas.
A pesquisa “HR Barometer 2024: Strategic Workforce Planning”, da Hudson Solutions, constatou que 65% dos líderes de RH estão convencidos da importância do planejamento estratégico da força de trabalho.
O ideal é começar a desenvolver o planejamento estratégico entre o terceiro e o quarto trimestre do ano, já que a antecedência permite à empresa tomar decisões mais informadas e com mais tranquilidade.
Esse planejamento deve ser bem estruturado, proativo e orientado por dados. Entre as muitas análises, deve focar em:
● Gestão de pessoas: retenção de talentos, avaliação de desempenho, cultura organizacional, saúde corporativa;
● Levantamento e analisar dados: taxa de turnover, engajamento, custo de contratação;
● Revisão de pacotes de benefícios: alimentação, transporte, saúde, bem-estar, educação.
Além de revisar os resultados do período anterior, o planejamento deve ficar de olho e preparado para as tendências emergentes. Para 2026, por exemplo, espera-se uma maior integração entre RH e Inteligência Artificial (IA), segundo o RMG RH.
Nos próximos anos, também deve ocorrer a consolidação do formato híbrido de trabalho como a modalidade dominante em muitas organizações.
Para conversar sobre essas tendências e reforçar a importância do planejamento estratégico antecipado, essencial para começar o ano no modo turbo, convidamos Jéssica Palin, psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, e Bruno Lico, consultor de Recursos Humanos da Croma Consultoria de Recursos Humanos.
Vamos lá?
É recomendado que o planejamento estratégico seja iniciado entre o terceiro e o quarto trimestre, pois esse prazo mais folgado permite análises mais precisas e evita a pressão que pode resultar em decisões precipitadas ou até incorretas.
É fundamental que esse planejamento faça parte da programação anual do RH, evitando deixá-lo para os últimos meses, como dezembro, um período naturalmente sobrecarregado com balanços, fechamentos e férias coletivas.
“Deixar para o final do ano já demonstra uma falta de planejamento, uma vez que todo plano estratégico possui datas de início e de finalização de projetos. No final do ano não é o período ideal para se realizar o planejamento, pois esse processo envolve toda a empresa”, pondera Jéssica Palin.
E ela continua: “O planejamento precisa ser elaborado com os líderes, tendo em vista o resultado almejado para expansão ou contenção de riscos. Considerando as demandas e a profundidade de um planejamento estratégico bem feito, além da necessidade de ser colocado em prática para alcançar os resultados esperados, o período de final de ano se torna inadequado para realizá-lo”.
Além dos riscos de fechamentos incorretos, um planejamento “em cima da hora” pode comprometer o desempenho do novo ano que se inicia.
Segundo Bruno, deixar o planejamento para o fim do ano pode levar a decisões apressadas, gerando desalinhamento entre estratégias e caixa, comprometendo o início do próximo período.
“Por isso, iniciar o processo ainda no terceiro trimestre é essencial para assegurar qualidade, engajamento e execução eficaz. Esse processo garante decisões mais assertivas, maior engajamento das equipes e uma transição fluida entre exercícios”, disse.
O planejamento deve sempre ter como foco principal as pessoas. Compreender as necessidades, expectativas e perfis dos colaboradores é fundamental na hora de definir os benefícios a serem oferecidos.
Esse entendimento pode ser obtido por meio de pesquisas internas, escuta ativa e análise de dados, permitindo a personalização dos benefícios e promovendo maior engajamento e a satisfação dos colaboradores.
“O ideal é construir benefícios que combinem bem-estar físico e mental, desenvolvimento profissional, qualidade de vida e reconhecimento financeiro. Assim, o RH deixa de ser apenas um gestor de custos e passa a ser um agente de retenção e fortalecimento da cultura organizacional, promovendo pertencimento e alinhamento entre os objetivos e cultura dos colaboradores e os da empresa”, defende Bruno.
Para Jéssica, o foco no colaborador deve ser prioridade no planejamento, promovendo um ambiente onde ele se sinta valorizado e tenha oportunidades de crescimento:
Olhar para os colaboradores, afirma a psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, deve ser a prioridade de qualquer empresa, visto que, atualmente, o colaborador quer permanecer em um ambiente em que possa se sentir parte, crescer profissionalmente e se sentir cuidado.
“Os pacotes de benefícios podem incluir: parcerias com psicólogos e psiquiatras, programas de auxílio à educação, de premiação para colaboradores engajados no mês, benefícios em parcerias com academias, entre outros”, explica.
Para a psicóloga, mais do que somente oferecer vantagens, é essencial que os pacotes de benefícios contribuam de forma efetiva para o desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores.
O people analytics e outras ferramentas de análise de perfis comportamentais e cognitivos auxiliam o time de Recursos Humanos a tomar decisões mais assertivas em seu planejamento.
Com base em dados científicos, o RH consegue agir preventivamente em contratações duvidosas, respaldar os líderes no desenvolvimento dos PDIs dos colaboradores durante sua jornada e ainda sugerir promoções ou movimentações entre departamentos.
“Apoiado em dados concretos o RH consegue identificar tendências, padrões e causas por trás dos principais desafios da gestão de pessoas. Isso torna o planejamento anual mais preciso. Além disso, essas ferramentas fortalecem a previsão e mensuração de resultados, projetando cenários de headcount, retorno de investimentos em treinamento, ou avaliações sobre como o bem-estar influencia a produtividade”, indica Jéssica.
Bruno concorda sobre a necessidade do uso de dados: “Também ajuda a fundamentar decisões junto à alta gestão, dando credibilidade às propostas do RH e garantindo que o planejamento anual esteja sustentado por evidências e não apenas por percepções”.
Um planejamento estratégico deve estar atento às tendências emergentes, e algumas iniciativas preventivas têm demonstrado impacto positivo na saúde corporativa, devendo se manter para o próximo ano.
“Essas iniciativas envolvem o investimento em desenvolvimento emocional. E não apenas por motivos de cumprimento da legislação, mas pelo fato de que as pessoas tendem a produzir mais quando são bem assistidas”, diz Jéssica.
Para Bruno as iniciativas preventivas mais eficazes são aquelas que integram saúde física, mental e social. Isso inclui programas de saúde mental e emocional, como terapia online, apoio psicológico e campanhas de conscientização, além do incentivo à atividade física (por meio de academias corporativas e convênios). Outro ponto é o uso de apps de acompanhamento da saúde, que permitem personalizar o cuidado e medir resultados.
“Essas ações, combinadas com políticas de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, têm mostrado impacto direto na redução do absenteísmo, melhora do clima organizacional e aumento da produtividade, justificando sua manutenção e ampliação em 2026 como pilares do planejamento estratégico de RH e saúde corporativa”, comenta.
No RH, as tecnologias de Inteligência Artificial (IA) estão transformando a gestão de pessoas, e essa tendência deve se intensificar nos próximos anos, afetando especialmente o recrutamento, a seleção, o desenvolvimento de talentos, a gestão de desempenho e a experiência do colaborador.
Bruno acredita que “as inovações mais promissoras são os sistemas de recrutamento com IA, capazes de analisar perfis com base em competências, comportamentos e fit cultural, reduzindo vieses e acelerando contratações. Os assistentes virtuais de RH (chatbots) também terão importante papel, oferecendo suporte 24h a colaboradores e gestores para dúvidas sobre políticas, benefícios e processos internos.”
“Outro grande impacto é a automação de processos administrativos, como folha de pagamento, gestão de ponto e controle de documentos, liberando o RH para atuar de forma mais estratégica“, explica.
Jéssica acredita que as tecnologias de maior impacto serão aquelas que oferecem suporte aos líderes e ao RH no desenvolvimento dos colaboradores.
“Hoje existe o IntegraMente, por exemplo, que é uma metodologia que utiliza testes científicos compostos por análises de perfis comportamentais e cognitivos, gerando PDIs personalizados para cada colaborador de acordo com os resultados de seus testes. Além disso, a metodologia promove devolutivas individuais, fazendo com que o colaborador se sinta cuidado no momento da tomada de consciência de seus resultados”.
A modalidade de trabalho híbrido vem se consolidando, ganhando espaço por oferecer flexibilidade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Uma pesquisa da McKinsey em parceria com a FGV, feita neste ano, indica que, até 2027, 85% das empresas brasileiras adotarão o modelo.
Ainda segundo a pesquisa, até o final de 2025, as organizações que não concluírem essa transição correm o risco de perder até 28% de seus profissionais mais qualificados, que tendem a migrar para concorrentes com estruturas mais flexíveis.
Porém, para Jéssica é preciso cautela.Segundo ela, embora algumas profissões já estejam habituadas ao modelo híbrido, acredito que depende do funcionamento de cada empresa determinar se o formato facilita ou não as entregas e os resultados.
“As empresas que conseguem trabalhar de forma híbrida, de acordo com o produto ou serviço que entregam, reduzem, de fato, custos operacionais com estrutura, entre outros. Porém, acredito que esse modelo não se encaixa em todos os setores”, pondera.
Já para Bruno, um dos grandes desafios do híbrido é a harmonia e alinhamento da equipe e da cultura corporativa, já que a distância física pode enfraquecer o senso de pertencimento e a troca de ideias.
Outro ponto é a gestão da performance e do engajamento, pois acompanhar produtividade e bem-estar de forma remota demanda indicadores mais qualitativos e líderes preparados para uma gestão baseada em confiança e resultados, não em controle. Além disso, o modelo impõe desafios de infraestrutura e segurança da informação, especialmente quando os colaboradores acessam sistemas corporativos de diferentes locais e dispositivos.
Por outro lado, o consultor considera oportunidades na modalidade.
“O trabalho híbrido traz grandes oportunidades, ampliando acesso a talentos, redução de custos operacionais, e aumento da flexibilidade e satisfação dos colaboradores e pode impulsionar a inovação, já que equipes mais diversas e distribuídas trazem novas perspectivas. Organizações que equilibram presença física estratégica (para colaboração e cultura) com autonomia no trabalho remoto conseguem ganhos em produtividade, atração e retenção de talentos”, finaliza.
Um planejamento estratégico feito com antecedência tende a ser mais eficaz e assertivo. Para garantir seu sucesso, deve ser desenvolvido com cautela e tranquilidade, analisando os dados com clareza para definir as melhores ações atuais e também futuras, que contribuam para uma cultura organizacional equilibrada e saudável.
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