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IA e meio ambiente: como as empresas podem usar Inteligência Artificial de forma responsável?
Entenda o impacto ambiental da IA e como o RH pode liderar um uso mais responsável dessa tecnologia, para conciliá-la com as metas de ESG.
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A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do dia a dia de quase metade das indústrias brasileiras com mais de 100 funcionários, segundo o Pintec Semestral 2024, do IBGE — e provavelmente já entrou na sua empresa também.
Seja no recrutamento, na comunicação interna, na análise de dados, a tecnologia chegou para ficar.
Mas junto com esse movimento inovador, há uma pergunta que começa a entrar no radar de alguns RHs: se o uso da IA tem um custo ambiental, como fica isso quando a empresa tem compromissos com ESG?
Se você quer entender como conciliar IA e sustentabilidade, vem com a gente.
O que move as IAs?
Por trás de cada resposta gerada por uma Inteligência Artificial existe uma infraestrutura física enorme funcionando em tempo real.
Para processar linguagem, reconhecer padrões e gerar textos, imagens ou análises, os modelos de IA precisam de uma capacidade de processamento muito acima do que qualquer computador comum consegue entregar.
Esse processamento acontece em servidores especializados — onde máquinas de alta performance ficam ligadas 24 horas por dia, 7 dias por semana, em galpões climatizados chamados data centers, espalhados pelo mundo.
Quanto mais complexa a tarefa pedida à IA, mais servidores trabalham em paralelo para dar conta da demanda. E quanto mais deles estiverem em funcionamento, maior o consumo de energia e a necessidade de resfriamento.
É aí que o impacto ambiental começa a aparecer — não é na tela que você digitou a pergunta, mas nos data centers onde a resposta é processada.
O que os data centers de IA têm a ver com as empresas?
Quando alguém usa uma ferramenta de IA — seja para triagem de currículos, geração de conteúdo ou análise de dados — essa interação depende de um servidor para acontecer. Que por sua vez gera calor constante.
E para que ele não superaqueça, são necessários sistemas de resfriamento intensivos, que consomem dois recursos em larga escala: água e energia.
O consumo de água
Estima-se que grandes data centers podem consumir até 5 milhões de galões de água por dia — o equivalente ao abastecimento de uma cidade com até 50 mil habitantes.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia calcularam que o ChatGPT, por exemplo, consome cerca de 500 mililitros de água a cada 20 a 50 interações.
Pode parecer pouco, mas multiplique pelo número de perguntas feitas por todos os colaboradores da empresa em um dia.
O consumo de energia
Uma consulta feita a uma ferramenta de IA pode consumir entre 20 e 30 vezes mais energia do que uma busca comum no Google.
No Brasil, onde a matriz energética é majoritariamente hidrelétrica, esse consumo elétrico também pressiona os reservatórios de água — criando um impacto duplo sobre o recurso hídrico.
A emissão de carbono
Data centers que operam com energia não renovável contribuem diretamente para as emissões de CO₂.
Mesmo os que usam energia limpa têm uma pegada de carbono associada à construção, manutenção e expansão da infraestrutura.
Onde está a contradição e seu impacto no RH
Para empresas com agenda ESG que possuem metas de redução de carbono e programas sociais robustos, identificar o impacto da IA é essencial antes de adotar essas ferramentas para aumentar a produtividade.
Afinal, quando a IA é adotada sem critérios ambientais — sem clareza sobre o consumo, a operação ou as políticas de sustentabilidade do fornecedor —, o resultado é um impacto negativo nas metas ambientais.
Mas isso, muitas vezes, não acontece por descaso, e sim por falta de informação. Até pouco tempo atrás, esse debate não existia no radar da maioria das áreas de gestão. Ele veio à tona recentemente e tende a crescer nos próximos anos, à medida que as regulações ESG se tornam mais rigorosas e investidores mais exigentes.
E o RH tem um papel estratégico aqui. Estima-se que três em cada quatro empresas brasileiras já usam IA em processos de recursos humanos. Isso significa que a área é uma das principais portas de entrada da tecnologia nas organizações. E quem abre a porta também pode ajudar a definir as regras de uso.
Como usar IA de forma responsável sem abrir mão da inovação
A boa notícia é que equilibrar IA e ESG não passa por abrir mão da tecnologia, e sim por usá-la com consciência e critério.
1. Pergunte sobre a política ambiental do fornecedor
Antes de contratar uma ferramenta de IA, vale questionar: o fornecedor usa energia renovável nos seus data centers? Ele divulga dados de consumo hídrico e energético? Tem metas de neutralidade de carbono?
Essas perguntas já existem em processos de diligência prévia (investigação aprofundada antes de uma transação comercial) de grandes empresas e devem começar a entrar nas avaliações de qualquer contratação de tecnologia.
2. Crie uma política interna de uso consciente
Não é preciso proibir Inteligências Artificiais. Nesse caso, a estratégia mais eficiente é definir diretrizes sobre quais processos realmente precisam de IA — e quais podem ser resolvidos de formas menos intensivas.
Essa “boa prática” já reduz o consumo desnecessário de recursos e é um exemplo de como o uso intencional também é um uso mais eficiente.
3. Inclua a agenda digital no relatório ESG
Emissões e consumo relacionados à tecnologia costumam ficar fora dos relatórios de sustentabilidade.
Mas incorporar o impacto digital à gestão ESG é um passo importante para quem quer ter uma agenda ambiental mais coerente e transparente.
4. Use a IA a favor da sustentabilidade
Essa é a virada de chave: a mesma tecnologia que tem um custo ambiental também pode ser usada para reduzi-lo.
Ferramentas de IA já são usadas para monitorar emissões em tempo real, otimizar cadeias logísticas, automatizar relatórios ESG e identificar oportunidades de redução de desperdício.
Quando bem direcionada, a tecnologia pode virar aliada da sustentabilidade. A IA, sozinha, não é vilã, o que define o impacto é a forma como a empresa decide usá-la.
Quer entender como essas transformações ganham forma na prática? Acompanhe o blog da Alelo e fique por dentro das discussões e tendências que estão moldando esse cenário.
FAQ — Perguntas que o RH costuma ter sobre IA e ESG
A IA realmente tem impacto ambiental significativo?
Tem, sim. O consumo de água e energia dos data centers que sustentam ferramentas de IA já se aproxima do de grandes cidades. E, com a expansão acelerada da tecnologia, esse impacto tende a crescer. Por isso, é um tema que vale entrar no radar de quem acompanha a agenda ESG.
Pequenas e médias empresas precisam se preocupar com isso?
Precisam, mas cada uma na sua proporção. O impacto de uma PME é menor do que o de uma multinacional, mas práticas de uso consciente fazem diferença em qualquer escala. Além disso, grandes empresas já começam a exigir mais transparência de toda a cadeia, incluindo fornecedores menores.
Como saber se o fornecedor de IA que a empresa usa é sustentável?
Um bom começo é olhar relatórios de sustentabilidade, políticas de uso de energia renovável e metas de carbono. Muitas empresas já divulgam essas informações. No caso de fornecedores menores, vale perguntar diretamente — e observar a qualidade da resposta também diz bastante sobre o nível de maturidade do tema.
O RH tem poder para influenciar essas decisões?
Tem, e mais do que parece. Principalmente na escolha de ferramentas usadas nos processos de pessoas. Além disso, o RH ajuda a sustentar a cultura da empresa — e pode incluir o uso responsável da tecnologia como parte dessa construção, mesmo sem entrar nos detalhes técnicos.
Usar menos IA resolve o problema?
Depende de como isso é feito. Reduzir o uso sem critério pode até ajudar no curto prazo, mas o ponto central não é usar menos — é usar melhor. Aplicar IA onde ela realmente faz diferença e repensar onde não é essencial já é um passo importante.
A empresa pode usar IA para melhorar sua própria agenda ESG?
Pode, e esse é um dos caminhos mais interessantes. A IA já ajuda empresas a automatizar relatórios, monitorar emissões, acompanhar fornecedores e identificar ineficiências. Quando bem aplicada, vira uma aliada importante para avançar de forma mais consistente na agenda ambiental e de governança.
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