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O mundo lê literatura brasileira em dezenas de idiomas. Mas você conhece todos esses autores? Descubra os consagrados e os que merecem mais atenção.

O Brasil escreve, e o planeta lê. Não por acaso, maio carrega dois marcos que dizem muito sobre isso: no dia 1º, é celebrado o Dia da Literatura Brasileira e, no dia 5, o Dia da Língua Portuguesa — o idioma que é, ao mesmo tempo, o instrumento e a matéria-prima de tudo que vem a seguir. Uma língua que guarda dentro de si palavras que nenhuma outra conseguiu traduzir de verdade.
Como “xodó”, que no português do Brasil caracteriza alguém ou algo muito querido e estimado, o termo também é uma escolha ideal para designar algumas das maiores obras da literatura brasileira.
Afinal, foi nessa língua diversa e cheia de nuances que a literatura brasileira floresceu, com força suficiente para ultrapassar mares e fronteiras, ganhar prêmios internacionais e entrar no cânone mundial.
Por isso, fomos além dos nomes óbvios para mostrar o quanto o Brasil tem pra contar. Bora conhecer?
Quando pensamos no Brasil, precisamos lembrar que a extensão do nosso país é continental. Por isso, em diferentes cantos do país existem sotaques, culturas, crenças, costumes e pratos típicos distintos.
E essa diversidade também serve para a literatura, que não possui uma fórmula única ou técnica exclusiva que a defina isoladamente. Ela é marcada por uma identidade construída na tensão entre o universal e o local.
Mais do que uma técnica isolada, sua “assinatura” está na capacidade histórica de absorver influências externas e transformá-las, conferindo uma “cor” local, um engajamento social profundo e um forte traço poético.
Desde os primeiros registros coloniais, a literatura brasileira procura definir o que é ser brasileiro.
Isso acabou gerando um forte compromisso com a construção da identidade nacional, aspecto que confere à nossa literatura um “poder comunicativo” único e que normalmente funciona como um espelho da nossa sociedade.
Embora diversificada e plural, característica que está na raiz do que é ser brasileiro, alguns elementos costumam aparecer de forma recorrente na nossa tradição literária:
Tem história que virou sinônimo de literatura brasileira lá fora. Porque a obra atravessou oceanos, foi compartilhada entre leitores e, em alguns casos, chegou a ser citada em contextos acadêmicos e eventos formais.
Recentemente, por exemplo, vimos a viralização de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, quando uma leitora norte-americana se encantou pelo livro.
Mas um dos mais emblemáticos deles é Paulo Coelho, autor de O Alquimista, lançado em 1988. Esse é o livro de língua portuguesa mais vendido da história — traduzido para mais de 80 idiomas e lido por mais de 65 milhões de pessoas no mundo todo.
A história de um pastor de ovelhas em busca da sua lenda pessoal tocou em algo que não tem idioma: a vontade de acreditar que vale a pena seguir em frente. Esse é o tipo de livro que dá para encontrar numa estante de aeroporto em Tóquio ou numa biblioteca escolar no Marrocos.
Antes dele, grandes nomes da literatura brasileira já tinham atravessado as fronteiras e marcado presença pelo mundo.
Autores como Jorge Amado, Clarice Lispector, Machado de Assis e Graciliano Ramos ajudaram a projetar o Brasil no imaginário literário mundial.
Jorge Amado, por exemplo, a partir de Gabriela, Cravo e Canela e Capitães da Areia, foi traduzido para mais de 55 idiomas e inventou um jeito de contar a Bahia que o mundo inteiro quis conhecer — o calor das ruas de Ilhéus, a dureza das crianças sem teto no cais de Salvador.
Trazendo um estilo completamente novo, Clarice Lispector se destaca. Ela escrevia como quem pensa em voz alta e publicou títulos como A Hora da Estrela e Laços de Família.
Nos Estados Unidos, ela virou febre literária décadas depois de sua morte — traduzida pela editora New Directions, relançada com capa de design premiado, discutida em MFAs e perfis da The New Yorker.
Você sabia que, ainda em 1899, uma autora brasileira já escrevia um romance com elementos distópicos?
Emília de Freitas publicou A Rainha do Ignoto, ambientado no Brasil do final do século XIX, em que apresenta uma sociedade secreta de mulheres com poderes sobrenaturais, ideais igualitários e uma visão considerada ousada até hoje.
Outra brasileira que revolucionou a literatura brasileira foi Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo. Publicado em 1960, o livro é o diário de uma mulher invisível na sociedade.
A obra foi traduzida para mais de 13 idiomas e fez sucesso fora, antes de ser celebrada por aqui. Mas hoje é reconhecida como uma obra importante que fala sobre temas socioeconômicos e culturais.
A estética literária brasileira é uma união de diferentes nomes que foram, à sua maneira, construindo uma narrativa cheia de detalhes, estilos e personagens que são tão brasileiros quanto seus criadores.
Se pensarmos em nomes um pouco mais populares, como Lima Barreto, também conseguimos enxergar a brasilidade de suas obras, carregadas de críticas sociais e observações sobre a sociedade. Como podemos observar em O Homem que Sabia Javanês, uma sátira sobre a malandragem institucional.
Então confira alguns títulos nacionais que podem te ajudar nessa jornada:
Dom Casmurro, Machado de Assis: para quem gosta de acompanhar uma história como se fosse uma grande fofoca, essa aqui é clássica e de tirar o fôlego.
Ciranda de Pedra, Lygia Fagundes Telles: para quem quer uma história de família que parece novela — e que inclusive foi um grande sucesso como telenovela. Você vai virar as páginas querendo entender o que aconteceu e o que ainda vai acontecer.
Torto Arado, Itamar Vieira Jr.: para quem acha que não gosta de literatura brasileira, esse livro costuma mudar essa opinião. Uma história de duas irmãs no interior da Bahia que prende do começo ao fim e ainda ensina coisas que a escola nunca contou.
O Peso do Pássaro Morto, Aline Bey: para quem não tem tempo ou paciência pra um romance longo. São contos curtos, mas cada um deixa uma marca. Ótima porta de entrada pra quem quer começar aos poucos.
A Cabeça do Santo, Socorro Acioli: para quem gosta de uma história gostosa de ler, com personagens que grudam na memória e uma pitada de magia no meio do cotidiano nordestino.
O Avesso da Pele, Jefferson Tenório: para quem quer se emocionar de verdade. A história de um pai e um filho que vai te fazer pensar no Brasil, na família e em tudo que a gente carrega sem perceber. Daqueles livros que você recomenda antes mesmo de terminar.
A gente começou esse texto dizendo que o mundo lê em português sem saber. Mas talvez o mais surpreendente seja outro lado dessa história: quantos de nós ainda não descobriu o quanto a literatura brasileira tem pra oferecer?
Se o seu benefício flexível da Alelo estiver habilitado para cultura, conhecer novas histórias é muito mais fácil. Então que tal aproveitar o seu Alelo para se aventurar na literatura brasileira?
Afinal, descobrir um novo autor brasileiro também é uma forma de “ver” novas paisagens, “ouvir” novos sotaques e se inserir nas alegrias e dramas que são tão únicos do nosso país.
E se você quiser mais dicas de leitura e cultura, fique de olho no blog da Alelo, por aqui sempre trazemos indicações fresquinhas para rechear o seu dia a dia.
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